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Soldados colombianos acompanham caixão de colega morto em ataque das Farc em 16 de abril de 2015 em Cali, Colômbia

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A guerrilha das Farc apresentou nesta sexta-feira o governo da Colômbia um plano de cinco propostas para acelerar as conversações de paz em Cuba para acabar com 50 anos de conflito armado na Colômbia.

"Devem ser antecipados alguns passos que precipitem o fim do conflito, para o que é preciso deixar a subjetividade de um lado e ser práticos", disseram líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas), que desde novembro de 2012 negociam em Cuba com o governo do presidente Juan Manuel Santos.

Em carta aberta ao presidente, o Secretariado do Estado-maior Central das Farc, órgão colegiado que dirige a guerrilha, assegurou que este plano de cinco propostas será apresentado porque a paz não se consegue com um cronômetro na mão, mas resolvendo questões.

Primeiro, solicitou a divulgação em todo o país do relatório da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas e, também, que o mesmo seja lido e analisado por Santos e todo o seu gabinete.

Além disso, pediu para criar uma comissão para avaliar este informe e estabelecer responsabilidades jurídicas e políticas das partes.

Também pediu para criar uma comissão para esclarecer "o fenômeno do paramilitarismo" em, em prol da "verdade", que sejam abertos os arquivos secretos de tudo o relacionado com o conflito interno ao longo das décadas.

"É preciso levar o processo de paz para o outro lado. E rápido. Sem recorrer a ardis e sem atrasos injustificados", destacaram as Farc, para depois sugerir a Santos que mantenha "a serenidade" e não se deixar alterar pelo vai e vem da política interna.

Santos, fortemente questionado nos últimos dias por continuar com as negociações após uma incursão das Farc no Cauca (sudoeste da Colômbia), que deixou 11 militares mortos, afirmou nesta sexta-feira que não pode haver paz com impunidade e que a estratégia de justiça transicional, um tema candente das negociações, deve ser "compatível" com as normas vigentes.

"Para ser sustentável, esta estratégia deve ser compatível com o ordenamento jurídico nacional e internacional", destacou, ao abrir um seminário sobre justiça transicional organizado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão judicial autônomo da OEA.

Também confiou em que as Farc peçam perdão pelo ocorrido no Cauca e por outros crimes.

Em sua carta, as Farc reiteraram que o ocorrido no Cauca foi "uma tragédia" e lembraram que mantêm a trégua unilateral e indefinida que iniciaram em dezembro, mas reservando-se o direito "à legítima defesa".

"É preciso deixar quieto quem está quieto", indicaram.

O conflito armado colombiano deixou oficialmente pelo menos 220.000 mortos e 5,3 milhões de deslocados.

AFP