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Filas para comprar oxigênio crescem no Peru com segunda onda da pandemia

Profissionais do ministério peruano da Saúde realizam testes para descartar casos de covid-19 em pessoas vulneráveis com mais de 60 anos ou comorbidades em suas residências no distrito de El Agustino, leste de Lima, 7 de janeiro de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. janeiro 2021 - 23:03
(AFP)

O Peru voltou a registrar longas filas de pessoas para comprar um cilindro de oxigênio medicinal na quinta-feira (21), enquanto as mortes e casos confirmados de covid-19 aumentam de forma preocupante com a chegada de uma segunda onda da pandemia.

“Definitivamente, a demanda disparou e a venda de oxigênio aumentou tanto que a fábrica tem que fechar porque não há mais o suficiente” para atender o público, disse à AFP Gabriel Cárdenas, coproprietário da PGO, empresa que comercializa oxigênio em Lima.

“Em apenas dois dias, a demanda quintuplicou. Os piores dias estão chegando por conta da segunda onda”, previu Cárdenas.

Em Lima, capital peruana com 10 milhões de habitantes, a pandemia já infectou 40% da população desde a chegada do vírus, em março, segundo autoridades sanitárias.

Na fábrica da PGO no populoso distrito de Villa El Salvador, ao sul de Lima, um metro cúbico de oxigênio é vendido por 15 soles (cerca de US$4).

A recarga diária dos últimos dias naquela planta subiu para 40 cilindros de 10 metros cúbicos de capacidade a cada 24 horas.

O aumento da demanda fez com que algumas fábricas disparassem o preço do oxigênio em mais de 300%, que subiu para 50 soles (cerca de US $14) por metro cúbico.

“Aproveitar para aumentar os preços é realmente um crime”, alertou a ministra da Saúde, Pilar Mazzetti.

Para conter as especulações sobre o preço desse insumo, chave para o controle da doença em pacientes graves com covid-19, o governo inaugurou uma planta de oxigênio em Lima.

As autoridades querem evitar a escassez de reservas médicas de oxigênio nos hospitais, que incendiou o país em junho com um alto número de mortes em consequência, segundo relatos de familiares.

O governo então declarou o oxigênio um "recurso estratégico".

O Peru enfrenta uma segunda onda de infecções desde o início de janeiro e chega a registrar dois casos com a cepa britânica do coronavírus.

O número de mortos passou de uma média de 50 por dia em um mês para mais de cem na última semana. E as infecções diárias aumentaram de 1.000 para 5.000.

Na quarta-feira, foram registrados 113 óbitos e 5.400 infecções.

A segunda onda da pandemia atinge o Peru, de 33 milhões de habitantes, com pouco mais de um milhão de infecções e cerca de 39.100 mortes.

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