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Forças Armadas são 'único braço do Estado' capaz de enfrentar crise migratória

O presidente Michel Temer após o anúncio do envio de tropas para reforçar a segurança na fronteira com a Venezuela afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. agosto 2018 - 12:44
(AFP)

As Forças Armadas são "o único braço do Estado" brasileiro com capacidade de responder a uma crise humanitária como a da Venezuela, "comparável a de países em guerra", avaliou o acadêmico Maurício Santoro, após a decisão do presidente Michel Temer de enviar militares à fronteira.

Mas a medida anunciada por Temer para reforçar a segurança diante da chegada de milhares de venezuelanos pode dar a impressão "de que a migração é uma questão de defesa nacional", advertiu Santoro, professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em entrevista à AFP.

"Dada a situação que o Brasil vive hoje, o único braço do estado que tem capacidade de responder a uma emergência humanitária com essa são as Forças Armadas. Não temos essa capacidade no corpo de bombeiros, nas secretarias municipais ou no governo de Roraima", avaliou Santoro.

"Se não forem as Forças Armadas, vai ficar um vazio em termos dessa atuação politica".

"O que vejo como um risco é achar que a migração é um tema militar, que é um tema de defesa nacional, quando é algo maior, mais complexo que isso. Sempre é um risco que se corre, em particular por essa fragilidade do estado brasileiro, tudo acaba sendo uma resposta dentro do meio das Forcas Armadas"

AFP: A declaração de Temer sobre a ameaça à harmonia na região surpreende? É uma declaração forte?

"Não é surpreendente no sentido de que tem havido uma condenação cada vez mais forte do governo venezuelano, declarações cada vez mais fortes do governo brasileiro sobre a situação na Venezuela. Pelo menos no ultimo ano e meio, desde a mudança de governo no impeachment. Passa também por essa visão cada vez mais forte de que a crise da Venezuela atravessou as fronteiras. Chegou em Roraima, está presente na Colômbia, Peru, Equador".

"Decisão do Temer, o decreto e a fala, pode ser visto muito mais como parte coerente do que tem sido a politica externa do Brasil para a Venezuela ao longo desses anos. Tem essa percepção de que realmente é um pais onde existem graves violações dos direitos humanos.

AFP: Temer falou em medidas diplomáticas internacionais. A que pode estar se referindo?

"É o que o Brasil já tem feito, principalmente através do Grupo de Lima. Se posicionando sobre a Venezuela de maneira crítica. Mas há uma divisão dentro da América Latina sobre como tratar a crise na Venezuela (...). Divisão dentro da própria politica brasileira".

"Isso acontece num momento em que a integração latino-americana vive uma crise muito profunda. A Colômbia se retirou da Unasul, Equador está saindo da Alba. Esses grandes projetos de integração regional da década passada estão vivendo um momento de muita fragilidade, de esvaziamento. E isso dificulta a possibilidade de uma resposta conjunta. Acho que há um espaço de uma atuação internacional de países fora da região, especialmente por meio de doações, de ajuda humanitária, alimentos, remédios, roupa. Tudo o que é necessário para ajudar a população, que muitas vezes chega, no caso de Roraima, em situações muito precárias".

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