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Separatistas pró-Rússia em ponto de controle na estrada entre Luugansk e Donetsk, no leste da Ucrânia, em 9 de julho de 2014.

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As forças ucranianas lançaram nesta quinta-feira um violento ataque contra os insurgentes pró-russos a oeste de Donetsk e também se posicionaram ao sul da cidade, confirmando seu cerco a este reduto dos separatistas no leste do país.

O Exército e a Guarda Nacional, apoiados por veículos blindados, lançaram um ataque perto da localidade de Karlivka, 30 km a oeste de Donetsk, anunciou o Ministério do Interior.

Um jornalista da AFP no local observou a passagem de vários comboios de veículos blindados e de caminhões transportando tropas e ouviu fortes disparos de artilharia.

Os separatistas confirmaram esses confrontos. "Foram travados combates em Karlivka hoje. Destruímos dois tanques", declarou o "ministro da Defesa" dos separatistas, Igor Strelkov, em uma coletiva de imprensa em Donetsk. "O inimigo sofreu perdas, nós também tivemos perdas, infelizmente", acrescentou, sem fornecer mais detalhes.

O Exército tenta cercar os dois grandes redutos dos insurgentes no leste, Donetsk e Lugansk. Mas os separatistas dizem estar dispostos a defendê-los até o fim. As duas cidades contam, respectivamente, com um milhão e meio milhão de habitantes.

Strelkov afirmou nesta quinta-feira que possui reservas suficientes de homens e equipamentos, e afirmou que mais de 1.000 voluntários se juntaram às fileiras separatistas nos últimos dias.

O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexandre Borodai, mostrou a mesma determinação em "defender o território contra a ocupação". Ele acenou com a possibilidade de retirar centenas de milhares de habitantes de Donetsk diante do avanço das forças ucranianas.

Jornalistas da AFP também constataram nesta quinta o avanço de tropas de Kiev, que agora estão a apenas vinte quilômetros de Donetsk.

- Vítimas civis -

Uma coluna de tanques, blindados e caminhões, de um quilômetro e meio de extensão, chegou na quarta-feira de Mariupol, a 110 km de distância de Donetsk, sem enfrentar resistência, e se dispersou por vários locais, afirmaram à AFP soldados ucranianos.

As máquinas cavavam trincheiras nos campos próximos à aldeia de Olenivka.

Nos últimos dias, as forças de Kiev retomaram várias cidades dos rebeldes, como Slaviansk, e o governo ucraniano anunciou a imposição de um bloqueio a Donetsk e Lugansk.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e outros funcionários de alto escalão disseram ter dado instruções para que os responsáveis pelas operações contra os separatistas evitem ao máximo causar mortes em meio à população civil, uma regra que parece ser descumprida no campo da batalha, de acordo com testemunhos ouvidos em Lugansk.

Uma fonte ucraniana declarou na noite de quarta-feira que não haverá "bombardeios aéreos ou de artilharia" contra Donetsk e Lugansk. Stanislav Retchinskii, conselheiro do ministro do Interior, afirmou que, a tomada dessas cidades será mais lenta e pode ocorrer no prazo de um mês.

O Ministério ucraniano da Saúde indicou nesta quinta-feira que desde o início da operação antiterrorista, há quase três meses, 478 pessoas morreram nas zonas de conflito, incluindo sete crianças e trinta mulheres, e 1.392 ficaram feridas, entre elas 104 mulheres e 14 crianças. Também declarou que esse registro incluía todos os falecimentos, sem diferenciar os mortos pela ofensiva e as mortes naturais.

Entre os militares, a soma dos registros parciais do Ministério da Defesa chega a 220 soldados mortos, incluindo cinco nesta quinta-feira, aos quais se somam 12 mortos nas fileiras da Guarda Nacional.

Os separatistas não costumam divulgar balanços de baixas.

No campo diplomático, os contatos entre Ucrânia, Rússia e Ocidente estão sendo mantidos, mas ainda não há qualquer sinal de progresso no horizonte devido às condições impostas por Kiev para um cessar-fogo, que Moscou quer que seja incondicional.

Nesta quinta, o governo russo também protestou diante de Kiev depois que um de seus guardas de fronteira foi alvo de disparos do Exército ucraniano e advertiu que novos incidentes como esse terão consequências.

AFP