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Quando uma formiga Matabele é ferida em combate, chama suas companheiras excretando substâncias químicas, em um tipo de sinal de pedido de socorro

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As formigas Matabele, que estão espalhadas pelo sul do Saara e são predadoras ferozes de cupins, resgatam seus soldados feridos em combate e os levam de volta ao formigueiro, onde eles são "tratados", segundo um estudo publicado nesta quarta-feira.

É a primeira vez que se detecta este comportamento de ajuda aos feridos no mundo dos insetos, de acordo com a pesquisa, publicada na revista americana Science Advances e realizada por uma equipe de cientistas alemães do Biocentro da Universidade de Wuerzburg.

De duas a quatro vezes por dia, estas formigas, da espécie Megaponera analis, realizam incursões para matar cupins operários em seus locais de forrageamento.

Mas os ataques encontram uma forte resistência dos cupins soldados que protegem os cupins operários e que têm mandíbulas poderosas capazes de matar e ferir as formigas Matabele nos combates.

Para, aparentemente, minimizar suas perdas durante esses ataques, as formigas desenvolveram um comportamento de resgate até agora desconhecido entre os insetos.

Quando uma formiga Matabele é ferida em combate, chama suas companheiras excretando substâncias químicas, em um tipo de sinal de pedido de socorro.

A formiga ferida será levada de volta para o formigueiro, onde receberá "tratamento", que normalmente envolve a remoção dos cupins que ainda estão grudados no inseto, disseram os autores do estudo em um comunicado.

"É a primeira vez que observamos nos invertebrados um comportamento de ajuda a um animal ferido por seus congêneres", disse o coautor do estudo Erik Frank.

Esta observação é surpreendente, especialmente nos insetos sociais, entre os quais os indivíduos em geral têm pouco valor, apontou.

Mas no caso das formigas Matabele, está claro que "o investimento em um sistema de resgate traz benefícios para toda a colônia", disseram os pesquisadores.

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