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(Rquivo) Soldado francês no aeroporto Blagnac de Toulose em maio de 2013

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Depois da Grã-Bretanha e Bélgica, a França anunciou nesta sexta-feira o reforço das medidas de segurança em seus aeroportos para voos para os Estados Unidos, a pedido de Washington, que teme atos de terrorismo.

"Por razões de confidencialidade, não podemos revelar quais são as medidas complementares", declarou à AFP o porta-voz da Direção Geral da Aviação Civil (DGAC).

As medidas em questão serão aplicadas durante a "temporada de verão e implantadas de forma a garantir o mínimo possível de inconvenientes para os passageiros", indica o DGAC, que alertou para possíveis atrasos de voos.

As medidas complementares de segurança incluem os 43 voos diários para os Estados Unidos que decolam dos aeroportos de Paris (Roissy e Orly), Nice e Marselha, além dos territórios de ultramar do Taiti, Martinica e Guadalupe, informa um comunicado da DGAC.

Por sua vez, a administração dos aeroportos de Paris informou que durante a alta temporada estão previstos 47 voos diários de París-Roissy para os Estados Unidos e outras tantas chegadas.

Na quarta-feira, o governo americano solicitou o reforço da segurança nos aeroportos da Europa e Oriente Médio com voos diretos para os Estados Unidos.

O pedido foi feito às vésperas do 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, feriado nacional.

Autoridades e especialistas ressaltam a conjunção inquietante de dois fenômenos: a fabricação de explosivos indetectáveis e o deslocamento de jihadistas radicalizados em países em guerra como a Síria.

"Estamos preocupados porque há algum tempo as organizações terroristas tentam embarcar em aviões material explosivo não detectável", explicou à AFP na quinta-feira um funcionário da inteligência americana que pediu anonimato.

"A Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP) seria um dos grupos em que pensamos quando falamos de bombas indetectáveis​​", acrescentou.

A Grã-Bretanha foi o primeiro país, na quinta-feira, a reforçar as medidas de segurança nos aeroportos.

Como os franceses, as autoridades britânicas não deram detalhes sobre seus reforços. "Tomamos estas decisões baseando-nos nas evidências das quais dispomos e trabalhando com nossos aliados", explicou à rede de televisão Sky o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Tablets, computadores e celulares

Na Bélgica, a ministra do Interior Joëlle Milquet declarou que as medidas "serão principalmente a de examinar material eletrônico, tablets, computadores, celulares, para nos assegurarmos de que não há substâncias explosivas".

O alarme foi lançado pelo secretário americano de Segurança Interna, Jeh Johnson, que anunciou novos procedimentos de segurança "nos próximos dias".

Um alto funcionário do ministério informou que se trata de acentuar os controles nos aeroportos com voos para os Estados Unidos na Europa e Oriente Médio. "Nós não queremos divulgar elementos sobre os níveis de segurança", o que poderia servir aos agressores, acrescentou.

A proximidade do feriado nacional, nesta sexta-feira, certamente pesou na decisão do alerta americano, que ocorre em meio a um cenário de crescentes tensões no Oriente Médio, especialmente na Síria e no Iraque, país ameaçado de divisão após a ofensiva dos jihadistas do Estado Islâmico.

No entanto, segundo o alto funcionário americano, não há relação entre a situação no Iraque e a preparação deste dispositivo de segurança.

No domingo, o presidente Barack Obama emitiu um alerta sobre os perigos representados por europeus simpáticos à causa da jihad na Síria e no Iraque e que podem viajar sem visto para os Estados Unidos.

David Cameron também observou que cerca de 400 britânicos que combatem na Síria poderiam atacar em solo britânico.

O especialista em segurança aérea Jeff Price alerta para o risco de uma nova geração de bombas sofisticadas e indetectáveis ​​que poderiam ser usadas ​​em aeronaves.

Várias tentativas detectadas no passado atestam o talento dos terroristas: bombas escondidas em sapatos em dezembro de 2001, em bebidas três anos depois, na cueca em dezembro de 2009 e em recargas de tinta em 2011.

AFP