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Mulheres palestinas choram em Khan Yunes diante de corpo de homem morto por bombardeios israelenses

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O exército israelense informou neste sábado sobre o lançamento de foguetes da Faixa de Gaza contra seu território após o término de uma trégua inicial de 12 horas com o Hamas, que Israel decidiu prolongar por mais quatro horas neste reduto, onde sua ofensiva militar já matou mais de 1.000 palestinos.

"Acabam de lançar foguetes contra Israel, apesar do prolongamento do cessar-fogo humanitário", escreveu em sua conta no Twitter um porta-voz do exército, Avital Leibovich, pouco depois de autoridades israelenses confirmarem o prolongamento do cessar-fogo.

O movimento islamita palestino Hamas ainda não reagiu ao anúncio israelense.

Até o momento não é possível determinar se o lançamento dos foguetes representa um ataque isolado ou uma retomada das hostilidades por parte do Hamas, após o fim da trégua inicial de 12 horas, às 20h00 locais (14h00 de Brasília).

Segundo os meios de comunicação israelenses, o exército israelense não considera estes disparos uma violação flagrante do cessar-fogo.

Em Paris, em uma reunião internacional para buscar uma trégua duradoura, os chefes da diplomacia de Estados Unidos, Catar, Turquia e de outros países europeus pediram uma extensão da trégua em vigor durante 24 horas renováveis. Eles também apelaram por um cessar-fogo duradouro o mais rápido possível, que responda às necessidades legítimas de israelenses e palestinos.

Mais de 1.000 palestinos, em sua grande maioria civis, morreram e outros 6.000 ficaram feridos desde o início da ofensiva israelense em Gaza, no dia 8 de julho, anunciaram neste sábado socorristas do território palestino.

Desde o início da ofensiva, Israel perdeu 40 soldados. Os foguetes lançados de Gaza também mataram dois civis israelenses e um trabalhador tailandês em território de Israel.

Os habitantes da Faixa de Gaza expulsos de seus lares pela violência aproveitaram a frágil trégua para voltar aos seus bairros, onde viram cenas de desolação: casas destruídas, corpos enegrecidos em meio às ruínas e poças de sangue sobre as marcas dos tanques israelenses.

Durante a trégua, as equipes de emergência palestinas encontraram 132 corpos, segundo o último balanço fornecido por seu porta-voz, Ashraf al-Qudra.

No setor de Beit Hanun, correspondentes da AFP viram o corpo de um socorrista do Crescente Vermelho em um hospital parcialmente destruído por um bombardeio israelense.

Medo das bombas

O Hamas desaconselhou os deslocados pelo conflito - mais de 160.000, segundo a ONU - a se aproximar dos imóveis bombardeados e das zonas de combate pela possível presença de artefatos não ativados.

"Temos medo de abrir uma porta e encontrar uma bomba", declarou Khader Sukar, um morador de Shejaiya, um subúrbio da cidade de Gaza duramente bombardeado.

Os cerca de 1,8 milhão de palestinos da Faixa de Gaza, enclave pobre e superpovoado de 362 km2 submetido a um bloqueio israelense desde 2006, se apressavam para comprar suprimentos e combustível, à espera de uma eventual retomada dos ataques israelenses contra seu território.

Antes do início da trégua, 20 palestinos, 16 deles membros de uma mesma família, incluindo mulheres e crianças, morreram em um ataque aéreo de Israel contra Khan Yunes (sul), segundo fontes locais.

O conflito em Gaza, o quarto desde que o exército israelense se retirou deste território, em 2005, também atinge a Cisjordânia ocupada, palco de violentos combates.

As tropas israelenses mataram na noite de sexta-feira dois palestinos, de 16 e 18 anos, durante protestos. Em 24 horas, uma dezena de palestinos morreram na Cisjordânia.

Levantamento do bloqueio?

Para tentar colocar fim ao derramamento de sangue, vários chefes da diplomacia de diversos países, entre eles o americano John Kerry, participaram de uma breve reunião internacional em Paris, que não fez nenhum anúncio concreto, além de pedir o prolongamento do cessar-fogo.

"Qualquer intervenção regional ou internacional que detenha a agressão (israelense) e levante o bloqueio de Gaza é bem-vinda", declarou à AFP um porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum.

O levantamento do bloqueio israelense é uma das exigências do Hamas para alcançar qualquer acordo, depois de rejeitar a proposta de trégua egípcia.

Por sua vez, o governo israelense, que considera que as propostas favorecem o Hamas, está disposto a aceitar tréguas humanitárias desde que seu exército possa continuar com a destruição dos túneis do movimento islamita palestino para evitar o lançamento de foguetes contra seu território, segundo um funcionário israelense de alto escalão citado pela rádio pública.

AFP