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Governo boliviano anuncia uso iminente da força de segurança contra bloqueios em avenidas

Apoiadores do ex-presidente boliviano, Evo Morales, bloqueiam avenida em protesto em El Alto, na Bolívia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. agosto 2020 - 17:16
(AFP)

O governo boliviano anunciou, nesta sexta-feira (7), o iminente uso das forças policiais e militares para cessar os bloqueios nas ruas e avenidas em seis dos nove departamentos do país, no quinto dia de protestos pelo adiamento das eleições.

"Sabemos (onde estão) os principais pontos (dos bloqueios) e é claro que as filmagens captadas pelos sobrevoos nos darão meios de atuar nas operações que temos que realizar, e que ocorrerão a qualquer minuto", disse o ministro de Interiores, Arturo Murillo.

Murillo indicou que os órgãos de inteligência do governo detectaram os principais pontos de bloqueio nas regiões de La Paz, Oruro (oeste) e Cochabamba (centro).

Também há bloqueios nos departamentos de Potosí (sudoeste), Santa Cruz (leste) e Chuquisaca (sudeste.

Moradores, camponeses e indígenas apoiadores do ex-presidente de esquerda, Evo Morales (2006-2019), começaram os bloqueios de estradas na segunda-feira como forma de protesto sobre o adiamento das eleições de 6 de setembro para 18 de outubro.

As eleições foram adiadas em duas ocasiões anteriores em decorrência da pandemia, que até agora já causou 3.465 mortes e mais de 86.400 casos no país, em uma população de 11 milhões.

Os manifestantes acreditam que os adiamentos objetiva apenas prejudicar o candidato de esquerda Luis Arce, que lidera as pesquisas de voto, e que enfrenta o ex-presidente de centro, Carlos Mesa, e a presidente interina de direita, Jeanine Áñez.

Os manifestantes às vezes permitem a passagem de caminhões-tanque com oxigênio medicinal de Santa Cruz para Cochabamba, porém o governo considera que em outros pontos a passagem desses suprimentos para La Paz, seus vizinhos El Alto e Oruro, ficará interrompida.

Hospitais, principalmente em La Paz e El Alto, precisam do oxigênio, essencial para o atendimento de pacientes graves com a COVID-19. Alguns suprimentos chegaram por meio do transporte aéreo, mas são insuficientes.

O ministro do Trabalho, Oscar Mercado, destacou que "os bloqueios têm que ser cessados, porque também há remédios, insumos, alimentos que têm que chegar às cidades".

As Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestaram preocupação em relação aos bloqueios, e solicitaram o trânsito normal de veículos com suprimentos médicos.

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