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Governo colombiano declara alerta militar diante de ameaça do ELN

(Arquivo) O ministro da Defesa colombiano, Carlos Holmes Trujillo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. fevereiro 2020 - 18:17
(AFP)

As forças militares e policiais estavam em alerta na Colômbia, após o anúncio dos rebeldes do ELN de que farão uma "paralisação armada" que pretende impedir sob ameaças as mobilizações no país, anunciou o governo nesta segunda-feira (10).

"Todas as unidades do país estão em alerta máximo para atender qualquer pedido de proteção dos cidadãos", disse o ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, em resposta ao desafio lançado pelo Exército de Libertação Nacional (ELN).

Em um comunicado divulgado pelo comandante Uriel nas redes sociais, a organização assegurou que fará uma "paralisação armada de 72 horas em todo o território nacional a partir do próximo 14 de fevereiro".

O ELN, a última guerrilha reconhecida pela Colômbia, conta com cerca de 2.300 combatentes e está presente em 10% dos 1.100 municípios do território, segundo números oficiais.

Cerca de 45% de seu efetivo (cerca de 1.100 rebeldes) se refugia na Venezuela, informou o general Luis Fernando Navarro, comandante das Forças Militares da Colômbia.

Trujillo ressaltou que "todas as forças militares e a polícia nacional vão estar preparados de forma firmemente adequada e legítima, e com todo o rigor, diante da ameaça desses terroristas".

Até o momento, não há informações oficiais sobre movimentos especiais das tropas ou de um aquartelamento de primeiro grau, algo que obriga os batalhões a se dispor de forma absoluta diante de eventuais problemas de ordem pública.

- 'Chantagem ao governo' -

Ao longo de sua luta armada, financiada por sequestros e taxas cobradas de narcotraficantes, entre outras fontes, o ELN anunciou paralisações semelhantes, embora seu impacto nunca tenha atingido todo o território.

O grupo rebelde, que há pouco mais de um ano matou 22 cadetes do principal centro de formação policial do país em um ataque com carro-bomba em Bogotá, alertou a população sobre as consequências de se manifestarem nos próximos dias.

"Acatar a essa ordem de não manifestar-se pelas ruas por 72 horas de greve armada é o mais conveniente para a população, ser prudentes e manter-se em suas casas para evitar más consequências", avisa a mensagem.

O ministro da Defesa enfatizou que o governo não irá permitir "que esses criminosos venham chantagear o governo com terrorismo e ataques à população civil e infraestruturas".

O coronel da reserva Carlos Velásquez, professor da Universidade La Sabana e especialista no conflito colombiano, considerou que o ELN não é capaz de causar grandes danos, mas acredita que com o anúncio epretende dizer que "ainda estão em vigor, são uma força" desestabilizadora".

É principalmente uma "ação política, psicológica, pressionar o governo" para se sentar para negociar, disse à AFP.

O governo de Iván Duque interrompeu os diálogos de paz que o seu antecessor vinha tendo com o ELN, o ex-presidente Juan Manuel Santos (2010-2018), prêmio Nobel da Paz.

Duque tomou essa decisão após o atentado contra os cadetes do centro de formação policial, no qual o responsável pelo ato também morreu.

Com armas desde 1964, o ELN não deu uma razão específica para suas ameaças, mas agora comemora os 54 anos da morte em combate de um dos seus militantes inspiradores e mais conhecidos, o padre católico Camilo Torres.

Em seu manifesto, o grupo, nascido sob a influência da Revolução Cubana, disse que durante a greve armada respeitará a evacuação de pacientes para hospitais e o transporte de familiares para cuidar de "assuntos funerários".

Vivendo em conflito há mais de meio século, com oito milhões de vítimas, essas entre deslocados, mortos e desaparecidos, a Colômbia experimentou um alívio da violência com o acordo de paz com as FARC em 2016.

No entanto, os grupos armados persistem financiados pelo narcotráfico que impõe sua lei em áreas remotas.

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