Navigation

Governo do Amazonas pede transferência de nove presos após massacre em Manaus

Familiares de presos rezam em frente à penitenciária de Puraquequara, em Manaus afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. maio 2019 - 12:36
(AFP)

Nove detentos que teriam ordenado uma série de mortes em quatro cadeias de Manaus devem ser transferidos para presídios federais esta semana - informou o governo do estado.

Os nomes dos presos não foram divulgados, e a lista de transferência pode aumentar no decorrer da investigação do massacre que deixou, entre domingo e segunda-feira, 55 mortos, a maioria por asfixia.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse em Lisboa, onde participa de uma conferência sobre corrupção, que a tragédia foi fruto de "um conflito entre facções criminosas dentro dos presídios".

O ministro descartou a possibilidade de redução da superlotação nas penitenciarias.

"A melhor política de redução da população carcerária é a redução de crimes. O Brasil segue tendo uma criminalidade muito elevada e nesse contexto é muito complicado reduzir a população carcerária. Não podemos simplesmente abrir as portas das prisões", declarou.

O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo com 726.712 presos (dados de 2016), que geralmente vivem em condições de superlotação e sob o controle de facções que disputam o controle do tráfico de drogas e se enfrentam em sangrentos ajustes de contas.

O ministério da Justiça ordenou o envio da Força de Tarefas de Intervenção Penitenciária para reforçar a segurança nos presídios do Amazonas, que já estão sob vigilância redobrada desde o domingo e com as visitas suspensas, a princípio, por um mês.

Este efetivo de intervenção foi criado em janeiro de 2017 pelo ministério da Justiça para funcionar como tropa de reforço, a pedido dos estados com problemas no sistema penitenciário e após massacres em presídios nos primeiros quinze dias deste ano no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte, que deixaram pelo menos 123 mortos.

O governador amazonense, Wilson Lima, disse esta manhã à imprensa que espera a chegada de 20 efetivos ao longo do dia, e de outros 80 até o final de semana.

Na segunda, 40 detentos morreram. No Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), a 28 km de Manaus, ocorreram 25 mortes e, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), outros quatro detentos foram executados.

Na Unidade de Prisões de Puraquequara (UPP), morreram 6 detentos, e outros cinco, no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM 1).

No domingo, foram 15 os detentos mortos no Compaj durante o horário de visitas. A mesma prisão foi palco em janeiro de 2017 de uma rebelião sangrenta que durou 20 horas e deixou 56 mortos, um dos piores massacres já registrados em presídios brasileiros.

A Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas (Seap) informou através de um comunicado que as mortes "estariam motivadas por uma ruptura entre presos que pertenciam ao mesmo grupo criminoso e que atua no tráfico de drogas no estado". Também garantiu que a intervenção dos agentes evitou a morte de pelos 200 detentos "jurados de morte".

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.