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Governo e oposição brigam na Bolívia sobre empréstimo do FMI e eleições

(Arquivo) A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. junho 2020 - 21:52
(AFP)

A rejeição de uma comissão legislativa a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o atraso na promulgação da lei para convocar eleições em setembro aprofundam o atrito entre o governo interino e a oposição na Bolívia.

O ministro da Presidência, Yerko Núñez, afirmou que "o Movimento ao Socialismo (MAS, partido do ex-presidente Evo Morales) bloqueia uma das possibilidades de fortalecer a luta contra a COVID-19 na Bolívia", opondo-se ao crédito do Fundo Monetário Internacional .

Núñez se referiu à rejeição pelo Comitê de Planejamento do Parlamento, controlado pelo MAS, a um empréstimo do FMI de 327 milhões dólares.

A comissão rejeitou o crédito devido à "falta de documentação de suporte".

A presidente da comissão, Otilia Choque, do MAS, afirmou que pediu ao governo transitório que revisasse os termos do contrato com o FMI, o que não foi feito.

O ex-ministro da Economia Luis Arce, candidato à presidência pelo MAS e próximo a Morales, afirmou que o Fundo Monetário Internacional condicionava o crédito a reformas "neoliberais".

Ele acrescentou que a presidente de transição Jeanine Áñez "prestando atenção ao que o modelo neoliberal exige, interrompeu o investimento público, sob o pretexto de reduzir o déficit fiscal, e tenta reduzir o aparato estatal, que é uma das demandas do FMI".

O governo acusa o Parlamento de restringir outros empréstimos por cerca de 700 milhões de dólares e teme que faça o mesmo com os empréstimos do BID e CAF, no valor de 800 milhões de dólares.

Que o Congresso "não asfixie economicamente o país", afirmou o ministro do Desenvolvimento Produtivo, Oscar Ortiz.

Enquanto isso, a demora de Áñez em promulgar a lei para convocar as novas eleições para 6 de setembro, aprovadas na semana passada pelo Congresso, também motivou a reprovação da presidente do Senado, Eva Copa, do MAS.

"É compreensível que você (Áñez) e outros líderes políticos não desejem eleições, porque chegaram ao poder sem que as pessoas os elegessem e lá pretendem ficar sem passar pelas urnas", afirmou Copa.

Ela lembrou que Áñez assumiu o cargo de presidente interino em novembro, após a renúncia de Morales (2006-2014), com a missão de convocar novas eleições, depois que a votação de 20 de outubro foi anulada por suposta fraude.

"Cumpra o único mandato que lhe foi confiado", afirmou Copa.

O Congresso aprovou a convocação para eleições em 6 de setembro, após um acordo dos partidos políticos com o corpo eleitoral, mas o Executivo ainda não o promulgou. Áñez pediu terça-feira para adiar as eleições por um mês ou dois por causa da pandemia de coronavírus.

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