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(Arquivo) O governador do Banco da Inglaterra, Mark Carney

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O escritório britânico de luta contra fraudes financeiras (SFO) anunciou nesta segunda-feira a abertura de uma investigação criminal por suspeita de manipulação do mercado de divisas, em um caso que pode causar um novo escândalo para os bancos e para o centro de finanças do país.

"O diretor do escritório luta contra fraude(Serious Fraud Office) abriu hoje uma investigação criminal relativa a denúncias de conduta fraudulenta no mercado de divisas", afirmou em um comunicado o SFO, órgão público e independente que opera sob supervisão do Procurador-Geral.

Esta investigação pode ser tão grave quanto o escândalo de manipulação da taxa Libor, que sacudiu o mundo das finanças, disse o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney.

A Autoridade de Conduta Financeira (FCA) britânica lançou no ano passado uma investigação regulamentária no Reino Unido sobre o mercado de divisas.

As investigações se estenderam posteriormente a outros países, em especial à Suíça e aos Estados Unidos.

A SFO sempre indicou que examinaria as "informações complexas" do caso antes de decidir se abriria ou não uma investigação penal. Vários grandes estabelecimentos suspenderam as operações por causa da suposta manipulação.

As investigações são direcionadas a grandes bancos do setor, como os norte-americanos Citigroup e JPMorgan, o suíço UBS, o alemão Deutsche Bank e os britânicos Barclays e Royal Bank of Scotland (RBS).

Os investigadores suspeitam de um acordo ilícito entre os operadores de câmbio, que teriam usado fóruns de discussão na internet e mensagens instantâneas para conspirar e manipular a taxa de referência financeira WM/Reuters com o objetivo de tirar proveito.

O mercado de divisas representa 5,3 trilhões de dólares de transações por dia. Uma pequena manipulação tem o potencial de gerar enormes repercussões, como por exemplo sobre os fundos de pensão.

Este caso lembra o da taxa Libor, que estourou em 2012 e revelou as manipulações praticadas por alguns banqueiros sobre as taxas interbancárias, gerando uma forte sensação de impunidade.

O escândalo foi de grandes proporções e levou à decapitação do Barclays e a altas multas para grandes bancos europeus. Além disso, várias pessoas foram acusadas no Reino Unido.

O novo caso poder ser "tão ou mais grave que o do Libor", alertou há meses o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney.

O banco central, suspeito de ter fechado os olhos para as práticas ilegais de alguns operadores de câmbio, encarregou, em março, um advogado de investigar se o banco tem responsabilidade no caso.

- Um mercado vital para Londres -

O governo britânico começou a trabalhar para preservar a reputação de um mercado vital para a praça de Londres, que abriga pouco mais de 40% dos intercâmbios de divisas, muito à frente de Estados Unidos, Cingapura, Japão e Hong Kong.

O ministro de Finanças George Osborne anunciou em junho a extensão aos mercados de divisas (assim como aos de matérias-primas ou instrumentos financeiros com taxa fixa) das sanções aplicadas com as novas regras adotadas após o caso do Libor. Essas regras preveem inclusive penas de prisão para quem cometer esses delitos.

"A integridade da City é importante para a economia britânica. Os mercados fixam aqui as taxas de juros dos empréstimos imobiliários das pessoas, as taxas de câmbio das nossas exportações e das nossas férias e os preços das matérias-primas para os bens que compramos", ressaltou George Osborne.

Os escândalos, contudo, seguem acontecendo em Londres. O Barclays foi condenado em maio a pagar uma multa de 32 milhões de euros por irregularidades no mercado do ouro, cujo funcionamento despertou suspeitas de vários reguladores.

AFP