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Grã-Bretanha e Europa, um casamento historicamente incompatível

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deixa a sede da UE, em Bruxelas, em 27 de junho de 2014 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. junho 2014 - 19:27
(AFP)

A cúpula dos líderes europeus desta sexta-feira, em Bruxelas, na qual o primeiro-ministro britânico David Cameron bate de frente com quase todos seus sócios, é mais uma demonstração das desavenças entre a Grã-Bretanha e a União Europeia.

- A Grã-Bretanha apresentou sua candidatura à então Comunidade Econômica Europeia em 1961, quatro anos depois de sua criação. Sua adesão foi bloqueada duas vezes pelo presidente francês, Charles de Gaulle. Por fim, Londres se uniu à CEE em 1973, quando de Gaulle deixou o poder.

- Margaret Thatcher, primeira-ministra conservadora entre 1979 e 1990, conduziu a relação de forma atribulada com momentos de amor e ódio dificilmente superados. Poucos meses após chegar ao poder, a "Dama de Ferro" conseguiu baixar a contribuição britânica à caixa comum europeia durante uma cúpula em Dublin, durante a qual declarou a frase emblemática: "Devolvam-me meu dinheiro!" ("I want my money back").

- O discurso de Thatcher em Bruges em 1988, no qual detalhou sua oposição a um aprofundamento da integração europeia, é considerado um momento importante do euroceticismo. "Se tivemos sucesso na redução dos limites do Estado, não foi para vê-los restabelecidos em nível europeu, com um super-Estado europeu que exerce seu domínio a partir de Bruxelas", declarou Thatcher.

- A CEE se converteu em União Europeia por meio do Tratado de Maastricht, assinado em 1992, mas o sucessor de Thatcher, o também conservador John Major, obteve excepções à moeda única e a todo o capítulo de proteções sociais. Nesse mesmo ano, a Grã-Bretanha causou um terremoto monetário ao sair do sistema monetário das principais moedas europeias, em um episódio conhecido como a "Quarta-feira negra".

- Major também se opôs em 1994, como atualmente faz Cameron, à nomeação do belga Jean-Luc Dehaene à Presidência da Comissão Europeia, sustentando a mesma acusação: de que Dehaene era federalista demais. Ao final, o mandato foi assumido pelo luxemburguês Jacques Santer.

- O trabalhista Tony Blair chegou ao poder em 1997 com a promessa de colocar a Grã-Bretanha no coração da Europa. Mas ele fracassou em sua missão de obter o apoio de aliados, como seu ministro das Finanças e eventual sucessor, Gordon Brown, para forçar a entrada de seu país no euro. O apoio de Blair à invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003 também provocou tensões com seus sócios da UE.

- Mais uma vez, o perfil de um candidato à Comissão Europeia, o então primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt em 2004, levou a um bloqueio britânico. Blair se opôs à sua nomeação por considerá-lo muito federalista. Ele acabou sendo substituído pelo português José Manuel Barroso. Para substituir este último, os líderes europeus nomearam o luxemburguês Jean-Claude Juncker, também considerado muito federalista pelo atual primeiro-ministro britânico David Cameron. "Pelo menos (Cameron), mantém uma longa tradição britânica", declarou sarcasticamente o próprio Verhofstadt.

- Em 2011 Cameron vetou um pacto fiscal destinado a combater a crise econômica na Eurozona, recebendo duras críticas dentro da UE.

- Cameron prometeu em 2013 realizar um referendo sobre a permanência da Grã-Bretanha na UE, o que deve acontecer em 2017 se os conservadores vencerem as eleições gerais.

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