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Guaidó convoca protestos contra apagão que paralisa a Venezuela

Fachada de um prédio de Caracas sem luz elétrica por conta do apagão que afeta a Venezuela afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. março 2019 - 20:18
(AFP)

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó convocou protestos em todo o país para a terça-feira contra o apagão que mantém a nação petroleira em colapso há quatro dias.

"Amanhã, às três da tarde (16H00 de Brasília), toda a Venezuela nas ruas", conclamou o autoproclamado presidente do país e líder legislativo, ao comandar um debate no Congresso de maioria opositora sobre um decreto que propôs para declarar "alerta nacional" pelo apagão.

Ao justificar a medida, o opositor, de 35 anos, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, classificou de "catástrofe" a situação, porque atinge a vida de "dezenas" de pessoas mergulhadas já em sérias dificuldades por conta da crise econômica que assola a maioria dos venezuelanos.

Segundo Guaidó, além da falta de eletricidade, em boa parte do país, já começa a faltar água, a comida está apodrecendo, o transporte e as comunicações estão interrompidas ou instáveis.

"Não há normalidade na Venezuela e nós não vamos permitir que se normalize a tragédia (...), por isso o decreto", afirmou o líder da oposição, acrescentando que "todo (é) produto da corrupção e da imperícia do regime".

No decreto, que previsivelmente será aprovado após a sessão no plenário, o autoproclamado presidente pede "cooperação internacional" para superar a grave crise, e ordena à dezena de representantes diplomáticos que nomeou no exterior coordenar apoio internacional.

Além disso solicita aos militares e forças de segurança que não impeçam ou criem obstáculos para os protestos contra os apagões.

O apelo do opositor é mais um ato para culpar e pressionar o presidente Nicolás Maduro pela falta de energia elétrica que paralisa a Venezuela há quatro dias e que aflige a população a medida que vai acabando a água e a comida.

"Não podemos virar a cara para a tragédia que vive nosso país. Vou solicitar que seja decretado Estado de emergência nacional", acrescentou o político, que é reconhecido como presidente interino por 50 países.

Não há projeções sobre o alcance e as possibilidades da aplicação da "emergência nacional", num país onde Maduro tem o apoio das Forças Armadas e o controle de praticamente todas as instituições.

Para minimizar as consequências da crise elétrica, o governo prorrogou a suspensão de atividades de trabalho e escolares, que havia decretado na quinta-feira passada quando começou o problema de fornecimento de energia, o pior registrado neste país de 30 milhões de habitantes que atinge a capital e 22 dos 23 estados.

A luz voltou por poucos momentos em algumas regiões, mas a crise continua. Na madrugada desta segunda-feira, uma estação elétrica entrou em pane em Caracas por causas desconhecidas, agravando a situação nua área onde foram registrados saques no domingo.

Muitas casas tem tanques de água porque sempre há racionamento na Venezuela, mas as bombas não funcionam sem luz. Em Caracas, moradores fazem fila para conseguir se abastecer nas fontes d'água aos pés da montanha Ávila.

Por conta da situação, o governo vai começar a distribuir alimentos e água potável nas áreas mais carentes.

- "Situação explosiva" -

Os geradores de energia dos hospitais se concentram nas as salas de emergência. Segundo a ONG Codevida, 15 doentes renais morreram por falta de tratamento, enquanto Guaidó afirma que outros 17 morreram em outros centros médicos. Até o momento, o governo sustenta que não há falecidos.

Muitas lojas estão fechadas e há poucas mercadorias disponíveis. Há meses os venezuelanos sofrem pela falta de moeda corrente e tudo, até uma pequena compra, é feito através de transferência eletrônica. Por conta do apagão, não há como fazer qualquer transação comercial.

Muitos comerciantes estão vendendo água, carne, gasolina e até gelo em dólares. Com um êxodo de 2,7 milhões de venezuelanos desde 2015 segundo a ONU, a falta de comunicação com parentes no exterior também é angustiante.

Ao cair da noite, com as ruas às escuras, surge o terror por conta da delinquência num país com altos índices de violência.

Há pouco transporte e longas filas se formam nos postos de combustível por conta do medo desabastecimento, já que as bombas dependem da luz para funcionar.

"Preocupa que a Venezuela esteja entrando numa fase de colapso total porque o país tem uma situação explosiva", garantiu à AFP o cientista político Luis Salamanca.

No aeroporto internacional de Maiquetía também há caos. As autoridades registram manualmente a entrada e saída de passageiros.

- Nova etapa da crise -

Maduro sustenta que o apagão foi provocado por "um ataque cibernético eletromagnético" cometido pelos Estados Unidos contra a hidroelétrica de Guri, no estado de Bolívar (sul), a principal da Venezuela e segunda da América Latina, depois de Itaipu.

Já Guaidó defende que a crise de energia começou após um incêndio numa vegetação que afetou as torres de transmissão da hidroelétrica, por falta de manutenção e de investimentos e pela corrupção.

"Não podemos nos acostumar com emergência. Não devemos agradecer a uns ladrões por nos devolver a normalidade. Señores da Força Armada: É o momento, não há nada mais", disse Guaidó, que tenta romper a principal base de apoio de Maduro, os militares.

Para o analista Luis Vicente León, "este episódio é resultado da destruição sistemática do país em duas décadas, mas também o início de uma nova dimensão de deterioração", que vai trazer "radicalização das partes, sanções mais agudas e protestos".

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