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Guaidó eleva a pressão popular contra Maduro

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó discursa para simpatizantes em Caracas, em 5 de abril de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 06. abril 2019 - 11:58
(AFP)

O líder opositor Juan Guaidó mobiliza novamente neste sábado seus simpatizantes para aumentar a pressão contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, cada vez mais cercado por sanções e ameaças dos Estados Unidos.

Em meio à irritação de milhões de venezuelanos com o colapso dos serviços públicos, a jornada marca o início da "operação liberdade", uma estratégia do presidente do Parlamento, de maioria opositora, para organizar seus seguidores em uma campanha pela saída de Maduro.

"Começa a maior escalada de pressão que já vimos em nossa história", anunciou o opositor, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, em uma mensagem a seus partidários na sexta-feira.

"Depende de nós manter a pressão necessária para atingir nossos objetivos ", acrescentou Guaidó.

Em resposta, como é habitual, o chavismo convocou uma manifestação com o lema "em defesa da soberania e contra o o imperialismo".

Guaidó, sob ameaça de prisão, tenta dar um novo impulso à "operação liberdade".

A estratégia inclui uma mobilização nacional até o palácio presidencial de Miraflores, em data não estabelecida, segundo Guaidó, que também pediu aos venezuelanos que aproveitem o sábado para protestar contra crise elétrica.

Desde o grande apagão de 7 de março, o país enfrenta cortes intermitentes, que o governo tenta administrar com um plano de racionamento de 30 dias que exclui Caracas.

O colapso, que afetou o fornecimento de água, o transporte e as telecomunicações, também forçou a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas e a suspensão temporária das aulas.

"Estamos cansados, mas temos que sair às ruas porque é a única maneira de tirar estas pessoas", afirmou à AFP Verony Méndez, de 48 anos, que não tem água em casa há dois meses.

A água se tornou um bem escasso e os venezuelanos formam longas filas para conseguir o líquido nos poucos pontos onde é possível.

Maduro, que atribui as dificuldades a ataques dos Estados Unidos contra a infraestrutura hidrelétrica, pediu à população que armazene água, dando a entender que o problema persistirá por mais tempo.

A oposição e especialistas atribuem a crise à falta de investimentos do governo.

Enquanto Guaidó estimula a pressão popular, Washington, principal aliado do opositor, mantém a estratégia para asfixiar o governo de Maduro, que tem o apoio das Forças Armadas e que a partir de 28 de abril enfrentará um embargo de petróleo.

A Casa Branca anunciou sanções contra 34 embarcações da estatal PDVSA e duas empresas que enviam petróleo venezuelano a Cuba. "Este é apenas um primeiro passo", ameaçou neste sábado John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional do governo americano.

Na contraofensiva, o governo apertou o cerco contra Guaidó, presidente do Parlamento de maioria opositora.

Na terça-feira, a Assembleia Constituinte retirou a imunidade parlamentar de Guaidó e autorizou um processo por "usurpar" as funções de Maduro.

O deputado não reconheceu a medida e advertiu que "nada" vai impedir seu trabalho. Antes da medida da Constituinte, a Controladoria cassou os direitos de Guaidó para exercer cargos públicos durante 15 anos.

"O governo está tentando provocar o desgaste de Guaidó, que até agora conseguiu manter um amplo respaldo popular e político", afirmou à AFP o cientista político Luis Salamanca.

As mobilizações opositoras, que não param desde janeiro, quando Guaidó se autoproclamou presidente encarregado, contam agora com um fator inquietante, os "coletivos", aos quais Maduro pediu para atuar com "tolerância zero" com os protestos violentos.

Os "coletivos" são as organizações de base do chavismo, mas, segundo a oposição, um setor foi armado e atua como um grupo paramilitar.

ONGs de defesa dos direitos humanos denunciaram a atuação dos coletivos durante os protestos recentes espontâneos pela falta de luz e água.

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