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Guaidó tenta mobilizar oposição com consulta na Venezuela

Simpatizante do líder opositor Juan Guaidó ergue bandeira nacional em 11 de dezembro de 2020 ao fim da campanha para a "consulta popular" convocada pelo autoproclamado presidente da Venezuela afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 12. dezembro 2020 - 15:01
(AFP)

O líder parlamentar Juan Guaidó joga sua última cartada neste sábado para se manter à tona na cena política venezuelana, convocando uma consulta simbólica, com a qual espera que uma oposição decepcionada volte às ruas para expressar seu descontentamento contra o presidente Nicolás Maduro.

Com menos popularidade do que quando se autoproclamou presidente da Venezuela em janeiro de 2019, Guaidó, reconhecido como presidente interino por 50 países, liderados pelos Estados Unidos, incentiva a participação na consulta independente, iniciada em canais virtuais na segunda-feira e que será presencial neste sábado.

"Hoje #12Dez estamos na rua, no espaço onde nos tornamos maioria. Vamos mostrar unidos e mobilizados que não vamos desistir até vermos a liberdade renascer em nosso país. Participe do #HoyTodosEnLaConsultaPopular!", escreveu no Twitter.

Na chamada "consulta popular", os venezuelanos são questionados se apoiam "todos os mecanismos de pressão nacional e internacional a favor das eleições presidenciais e parlamentares livres" e se rejeitam as eleições legislativas de domingo passado, nas quais o chavismo venceu 255 das 277 cadeiras, em meio a um boicote da maioria dos partidos de oposição liderados por Guaidó.

Não é a primeira vez que a oposição convoca um processo de consulta. Iniciativa semelhante ocorreu em julho de 2017, em rejeição à Assembleia Constituinte convocada por Maduro, após meses de protestos que deixaram 125 mortos.

Apesar da rejeição que a oposição capitalizou no plebiscito simbólico, o órgão 100% chavista foi instalado em agosto do mesmo ano, assumindo funções legislativas na prática.

Em seguida, a oposição disse ter reunido 7,6 milhões de votos em repúdio ao órgão governante, que deixa de funcionar este ano para dar lugar a uma nova Assembleia Nacional em 5 de janeiro.

Muitos deputados eleitos no dia 6 de dezembro, nas eleições que a oposição chamou de "fraude", integraram a Assembleia Constituinte.

Ignacio Ávalos, diretor do Observatório Eleitoral Venezuelano, comenta à AFP que a oposição tem "uma certa ilusão com a consulta".

Mas, como observa, "os mecanismos de certificação (na consulta) não existem" e "mais que um valor como voto, com a consulta estão tentando gerar um fato político com mobilização" neste dia 12 de dezembro.

- Falta de informação -

A consulta é afetada por uma "tremenda falta de informação, há muita confusão sobre como votar", disse à AFP Benigno Alarcón, diretor do Centro de Estudos Políticos e Governamentais da Universidade Católica Andrés Bello de Caracas.

Além disso, dada a hegemonia exercida pelo governo sobre a mídia tradicional, a oposição tem que recorrer às redes sociais para divulgar suas mensagens, o que se complica com as falhas na internet e frequentes cortes de energia.

Alarcón estima que a consulta de Guaidó também enfrenta a possibilidade de alta abstenção, como aconteceu com as eleições parlamentares de domingo, que registraram apenas 31% de participação dos 20,7 milhões de eleitores.

Recém-saído do exílio na Espanha, Leopoldo López liderou neste sábado na Colômbia a "consulta popular". Depois de votar na praça central de Bolívar em Bogotá, o líder da oposição pediu à comunidade internacional que apoie a consulta.

“Estamos fazendo este grito por liberdade, o estamos fazendo (...) para expressar nosso voto em condições muito adversas”, em meio à pandemia e à censura da mídia na Venezuela, declarou.

Até o meio-dia, dezenas de venezuelanos vieram votar em dez cidades colombianas.

Maduro, por sua vez, minimiza o apelo de Guaidó, a quem chama de "falso" e "fantoche" dos Estados Unidos.

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