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Honduras sofre colapso com alto número de mortos por COVID-19

Homens carregam caixão de vítima da COVID-19, no cemitério Parque Memorial Jardim dos Anjos, a 14 km de Tegucigalpa em Honduras afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. junho 2020 - 23:21
(AFP)

Corpos dentro de sacos pretos em macas no Hospital Estadual Hospital são um sinal da superlotação dos hospitais hondurenhos, sobrecarregados por pacientes com a COVID-19, muitos que chegam ao local apenas para morrer.

O presidente do sindicato de base do Hospital Estadual Escola, Mauricio Corrales, lamentou o acúmulo de corpos "aos montes" nesse centro de saúde, situado em Tegucigalpa.

O sindicalista divulgou nas redes sociais um vídeo no qual 16 cadáveres em sacos pretos são vistos sendo colocados em macas nos corredores do centro médico.

As autoridades montaram tendas para atender os pacientes daquele hospital porque não havia outra forma de resolver a situação.

Corrales também reclamou da falta de material proteção individual para os funcionários desse hospital.

"Dos 3.000 funcionários, 56 testaram positivo. Não temos EPIs adequados, eles nos dão máscaras que duram quatro horas, o turno é de oito e ainda nos forçam a dobrar o turno", denunciou.

- Falhas no necrotério -

"E o necrotério (do Hospital Escola) é inútil, há decomposição de cadáveres", alertou Corrales.

"O necrotério está inerte, os refrigeradores não funcionam em nenhum dos 18 espaços (nichos) do principal centro de saúde do país", lamentou o sindicalista.

Dados oficiais relatam mais de 13.000 casos e cerca de 400 mortos no país. No entanto, o secretário da associação de funerárias, Jesús Morán, diz que "esse número deve ser multiplicado por cinco, sendo mais de 50.000".

Na capital, militares deixam os hospitais todos os dias em patrulhas, levando os corpos até os cemitérios localizados nos arredores da cidade. Eles permitem que somente alguns assistam ao funeral, enquanto outros aguardam fora do cemitério.

No norte do país, as autoridades transportam "entre dez a doze cadáveres" todas as noites em veículos para que sejam enterrados, conta Morán durante entrevista por telefone à AFP, a partir de San Pedro Sula, a segunda maior cidade de Honduras, a 180 km da capital.

- Mortes nas casas -

O presidente da associação funerária, Edwin Lanza, afirma que na capital muitas pessoas morrem em casa.

"Eles morrem com dores no peito", e as autoridades "os registram como suspeitos [mortos] da COVID-19, sem testá-los", relatou ele.

"Nos últimos dias, as vendas aumentaram 80%", diz Lanza, proprietário de uma pequena fábrica de caixões em El Pedregalito, a oeste de Tegucigalpa.

"Tínhamos certeza de que haveria colapso, que as pessoas morreriam em suas próprias casas", ressaltou Lanza. "Isso vai piorar porque ainda não chegamos ao pico da curva", acrescenta o proprietário.

Lanza alerta que, segundo o protocolo do governo, o corpo deve ser embalado em três sacolas plásticas descontaminadas, e o caixão deve ir também em outra sacola como forma de evitar o contágio. No entanto, a maioria não atende aos requisitos e os enterros são focos de contaminação.

"Estamos vivendo uma situação preocupante porque todos nós podemos nos contagiar, não é questão de negócios (...) Não somos suficientes para conseguir atender a toda a comunidade. O governo terá que prestar mais apoio às famílias", afirma Graciela Martínez, administradora de uma funerária na capital.

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