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HRW adverte que milhares de venezuelanos são reféns de conflito na Colômbia

(Arquivo) Homem trabalha em plantação de folha de coca na região de Catatumbo, departamento de Santander, Colômbia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. agosto 2019 - 20:21
(AFP)

Milhares de venezuelanos que fogem da crise em seu país estão "presos" em um "conflito brutal" em uma conturbada e violenta região produtora de coca do nordeste da Colômbia, onde grupos armados disputam o território, advertiu nesta quinta-feira (8) a ONG Human Rights Watch (HRW).

"Os venezuelanos no Catatumbo estão presos em uma encruzilhada entre a guerra na Colômbia e o desespero por sair da emergência humanitária em seu país", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas do HRW, citado em um comunicado divulgado em Bogotá.

No total, haveria 25.000 venezuelanos no Catatumbo, uma região do departamento de Norte de Santander, segundo cálculos do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), mencionados pela ONG.

Com 33.598 hectares, esta região se tornou em 2018 a segunda com mais narcocultivos da Colômbia, o primeiro produtor mundial de cocaína.

Por sua localização estratégica para retirar drogas do país e seus narcocultivos, o território é disputado pela guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), dissidências de grupos insurgentes como o EPL e as Farc, e narcotraficantes.

"Enquanto os grupos armados disputam o vácuo deixado pelas Farc no Catatumbo, centenas de civis ficam no meio de um conflito brutal", acrescentou Vivanco.

Os migrantes chegam à região através do precário controle de passagens fronteiriças, vigiadas majoritariamente por grupos ilegais e diante da "possibilidade de ter acesso a trabalhos mais bem pagos" do que na Venezuela, segundo a investigação.

Assentados majoritariamente em áreas urbanas como Tibú, Ocaña, El Tarra, Ábrego, Convención e Sardinata, os venezuelanos vivem em condições precárias, alguns dormem nas ruas ou amontoados em residências humildes, às vezes sem eletricidade ou água potável, denuncia a HRW.

Com 1,4 milhão de venezuelanos, a Colômbia é o principal receptor de migrantes que fogem da profunda crise política e econômica na Venezuela. Desde 2016, saíram do país petroleiro 3,3 milhões de pessoas, segundo a ONU.

O documento, intitulado "A guerra no Catatumbo: abusos de grupos armados contra civis colombianos e venezuelanos no nordeste da Colômbia", adverte para casos de homicídios, desaparecimentos, violência sexual, recrutamento de crianças e deslocamento forçado.

A ONG alerta para o risco que os civis correm com o aumento da violência e dos abusos desde que as Farc se desmobilizaram e se transformaram em partido, após assinar um acordo de paz em 2016.

No ano passado, foram assassinadas no Catatumbo 231 pessoas, aproximadamente três vezes a taxa nacional e mais que o dobro dos homicídios cometidos em 2015, quando as Farc acordaram um cessar-fogo unilateral como parte das negociações com o governo do ex-presidente Juan Manuel Santos.

Entre janeiro e junho, 114 pessoas foram assassinadas, segundo dados oficiais preliminares.

Além disso, mais de 40.000 pessoas foram deslocadas desde 2017, a maioria durante o ano passado, por abusos de grupos armados, ameaças por se negarem a engrossar suas fileiras ou acusações de colaborar com os outros atores armados.

O governo de Iván Duque, que assumiu o cargo há um ano, enviou em outubro um reforço de 5.600 militares ao Catatumbo, mas a HRW destaca que há denúncias de "comportamentos abusivos por parte da força pública".

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