O governo de México não demonstra interesse em procurar e punir os responsáveis pelos milhares de assassinatos e desaparecimentos ocorridos durante o primeiro ano de governo de Andrés Manuel López Obrador e em anos anteriores, denunciou nesta quarta-feira a organização Human Rights Watch (HRW).

"O que é realmente incompreensível é que o governo do presidente Andrés Manuel López Obrador esteja comprometido com a identificação desses casos, mas parece não estar interessado em resolver uma pergunta básica: quem são os responsáveis por esses atos? Quem são os autores desse espetáculo dantesco?", questionou José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas da organização.

López Obrador assumiu o poder em dezembro de 2018 propondo terminar com o combate militarizado ao crime organizado e a perseguição de seus líderes, aplicando em troca políticas contra a pobreza e a exclusão, que a seu ver seriam as causas da violência.

Vivanco manifestou consternação com números oficiais, indicando que os assassinatos no México teriam ultrapassado 34.000 no ano passado, enquanto o total de desaparecidos 61.637 pessoas, 97,4% desses desaparecimentos desde 2006, quando o México iniciou uma ofensiva militar controversa contra o crime organizado.

"Eles refletem uma calamidade, uma catástrofe humanitária no México", disse Vivanco, que enfatizou que 5.184 dos desaparecimentos já ocorreram com López Obrador, fato que ele considerou "preocupante" porque indica que não há melhorias e que a violação dos direitos humanos persiste sob o governo do presidente de esquerda.

Vivanco insistiu em apontar a inação das autoridades policiais que parecem "desconsiderar completamente essa realidade".

"Estamos profundamente decepcionados, não vemos esforços, não vemos que haja uma unidade de procuradores aqui, que queiram trabalhar 24 horas não apenas para estabelecer a verdade, mas para fazer justiça", afirmou.

Para exemplificar, o defensor de direitos humanos indicou que a justiça mexicana deu apenas 50 sentenças dos mais de 61.000 casos de desaparecimento.

Vivanco também criticou que o governo "pretende lavar as mãos" em termos de suas responsabilidades em direitos humanos, alegando que esses casos são herdados de governos anteriores.

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