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Igreja Anglicana da Inglaterra aprova mulheres bispos

Rose Hudson-Wilkin, capelã da Rainha Elizabeth II e porta-voz da Casa dos Comuns, é vista em 9 de julho de 2014 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. julho 2014 - 18:57
(AFP)

O sínodo geral da Igreja Anglicana da Inglaterra aprovou nesta segunda-feira a ordenação de mulheres como bispos, em uma medida histórica que dividia a instituição há anos e que deve abrir caminho para as primeiras ordenações em 2015.

Os três colégios de delegados reunidos em York (norte da Inglaterra) se pronunciaram a favor desta reforma, promovida pelo arcebispo de Canterbury, Justin Welby.

A Igreja da Inglaterra, surgida de um cisma na Católica, é a Igreja mãe da comunidade anglicana, que conta com 80 milhões de fiéis em 165 países do mundo.

A votação sobre esta reforma, que dividia a Igreja da Inglaterra há várias décadas, foi recebida com aplausos e até mesmo gritos de alegria, apesar de as autoridades eclesiásticas terem pedido uma postura mais cautelosa.

Cerca de 150 pessoas, incluindo mulheres sacerdotes, celebraram o acontecimento com garrafas de champagne.

Ao comemorar o resultado da votação, o arcebispo de Canterbury Justin Welby, que precisou usar todo seu talento de mediador para tentar convencer a ala mais conservadora da Igreja, evitou qualquer triunfalismo.

"Estou muito feliz com o resultado de hoje, que marca o início de uma grande aventura, de uma busca pelo desenvolvimento mútuo, apesar das divergências que persistem em alguns casos", declarou.

A primeira mulher bispo poderia ser ordenada "no início do próximo ano" e "escolhida antes mesmo", acrescentou.

Um dos principais líderes da Igreja da Inglaterra, o arcebispo de York, John Sentamu, saudou "um dia histórico", observando que "gerações de mulheres serviram ao Senhor fervorosamente na Igreja da Inglaterra por séculos".

Ele reconheceu que o processo foi longo: "Nós avançamos lentamente porque caminhamos juntos", explicou.

"É absolutamente fantástico", comemorou Lindsay Southern, uma mulher sacerdote de Yorkshire, que admitiu ter precisado "sentar-se calmamente, com uma xícara de chá, para assimilar" a mudança.

Por uma questão de coesão de uma Igreja que enfrenta o crescente desinteresse dos fiéis, medidas foram tomadas para apaziguar os opositores da reforma, incluindo os "anglo-católicos", um grupo ligado ao Vaticano.

Desta forma, a aprovação da reforma pelo sínodo inglês não obrigará as outras igrejas anglicanas a ordenar mulheres bispos, embora envie uma mensagem forte.

Na Inglaterra, onde as mulheres podem, desde 1992, ser sacerdotes, a comunidade anglicana busca com esta proposta acabar com sua imagem de igreja retrógrada, em comparação com a atitude mais progressista de outras igrejas anglicanas, como em Gales, Estados Unidos, Austrália, Canadá e Suazilândia, que já autorizam a ordenação de mulheres como bispos.

Uma votação anterior, de novembro de 2012, terminou com apenas seis votos. Os dois primeiros colégios de bispos e do clero haviam aprovado a reforma, mas a iniciativa naufragou na resistência do colégio dos leigos.

O fracasso reavivou as profundas divisões dentro desta Igreja, que tem status oficial na Inglaterra, já que seu governador supremo é a Rainha Elizabeth II.

"Chegou o tempo de resolver algumas questões e seguir em frente", declarou nesta segunda-feira em York Jane Hedges, sacerdote de Norwich, no leste da Inglaterra, que está cotada para se tornar bispo.

A reforma deve ser aprovada ainda pelo Parlamento antes de receber a aprovação da Rainha Elizabeth II. "Este é um grande dia para a Igreja e para a igualdade de direitos", saudou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, um fervoroso defensor deste avanço.

A mudança voltará a ser discutida em um sínodo geral em novembro, para ser definitivamente confirmada, em um passo que parece ser uma mera formalidade.

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