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Indonésios recorrem à ivermectina para lutar contra covid-19

As autoridades estão reportando centenas de mortes todos os dias, enquanto a Indonésia luta com seu pior surto desde o início da pandemia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. julho 2021 - 13:17
(AFP)

Os indonésios estão ignorando os avisos dos especialistas e comprando grandes quantidades de ivermectina, um medicamento antiparasitário popular entre políticos e personalidades, considerado uma "cura milagrosa" para a covid-19.

O arquipélago enfrenta sua pior onda da epidemia desde o início da crise do coronavírus, com centenas de mortes, mais de 30 mil novos casos diários e um sistema de saúde sobrecarregado.

Em todo país, as vendas em farmácias de ivermectina, um medicamento comumente usado contra infecções parasitárias, dispararam, em parte devido a postagens nas redes sociais elogiando seu potencial contra a covid-19.

"Não temos mais [ivermectina], porque muitos clientes vieram comprá-la", diz Yoyon, chefe de uma associação profissional de farmacêuticos na capital que, como muitos indonésios, tem apenas um nome.

"As pessoas chegam com uma captura de tela dizendo que a ivermectina pode curar a covid", acrescenta ele, explicando que o preço do medicamento passou de 175 mil rúpias (US$ 12) para 300 mil rúpias (US$ 21).

O entusiasmo por esse tratamento também se deve à publicidade feita por algumas personalidades.

"A ivermectina é uma das chaves seguras e eficazes para acabar com a pandemia", garante Reza Gunawan, que se descreve como um "profissional da saúde holístico" de Jacarta, a seus 350 mil seguidores no Twitter.

Iman Sjafei, cofundador da Asumsi, afirma na mesma rede social que cinco de seus parentes se recuperaram da covid com essa droga. "Talvez seja um placebo. Mas talvez seja verdade", comenta.

- Falta de provas -

Sylvie Bernadi, uma moradora da capital, afirma que comprou para seus parentes depois de ler postagens nas redes sociais elogiando suas virtudes.

"Muitos dizem que pode curar a covid-19, então eu comprei", explica a mulher de 66 anos, embora reconheça que outras pessoas também se queixaram de efeitos colaterais.

Alimentada pelo movimento antivacina e por teorias da conspiração que circulam na Internet, a demanda por ivermectina também disparou em outras partes do mundo, incluindo Brasil, África do Sul e Líbano.

Seu fabricante, o laboratório Merck, garante que a ideia de um "efeito terapêutico potencial contra a covid-19 não tem base científica" e alerta para os possíveis riscos, se o medicamento não for administrado corretamente.

Muitos cientistas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências de saúde em muitos países, incluindo na própria Indonésia, apontam para a falta de evidências confiáveis de que a ivermectina tem um impacto positivo no tratamento contra o coronavírus.

"Os dados atuais sobre o uso de ivermectina para o tratamento de pacientes com covid-19 não são conclusivos", disse a OMS em 31 de março.

"Nossa recomendação é não usar ivermectina em pacientes com coronavírus. Isso se aplica independentemente do nível de gravidade, ou de duração dos sintomas", explicou a chefe da equipe clínica responsável pela resposta ao vírus na ONU, Janet Díaz.

Ainda assim, o magnata indonésio e ministro das Empresas Públicas, Erick Thohir, elogiou esta droga e promoveu sua produção na Indonésia para conter o surto atual.

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