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Investigações da 'Lava Jato' geram confronto na Justiça peruana

Sede da Odebrecht, em 2 de março de 2017, em São Paulo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. dezembro 2018 - 19:38
(AFP)

As investigações resultantes da operação 'Lava Jato' expuseram uma espinhosa disputa interna na Justiça peruana, com um confronto entre o procurador-geral, Pedro Gonzalo Chávarry, e o coordenador da equipe especial para o caso, Rafael Vela, que denuncia falta de apoio do Ministério Público.

"Nós buscamos o apoio da instituição e só vemos fatos que, do nosso ponto de vista, significam atos de mesquinharia", declarou o promotor Vela à emissora RPP.

Ele assegurou, ainda, que sua equipe de promotores "não teve nenhuma manifestação pública de apoio do procurador-geral" e que recebeu "réplicas de crítica permanentes através das redes sociais da própria instituição".

A equipe especial comandada por Vela investiga casos de corrupção que abalaram o Peru, relacionados com a empreiteira brasileira Odebrecht, que atingem quatro ex-presidentes e uma líder da oposição.

São investigados nestes casos os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), que fugiu para os Estados Unidos e agora tem um pedido de extradição contra ele; Ollanta Humala (2011-2016), que esteve preso por nove meses com sua esposa, Nadine; Alan García (1985-1990, 2006-2011), que buscou asilo na embaixada do Uruguai e teve o pedido negado; e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que renunciou em março, afetado por denúncias de corrupção.

Também é investigada a líder do partido opositor Força Popular, Keiko Fujimori, que cumpre prisão preventiva de 36 meses, acusada de receber contribuições ilegais da Odebrecht para sua campanha de 2011.

- Guerra interna -

"O fato de ter chegado à mídia e à opinião pública o confronto entre a equipe especial da 'Lava Jato' e o procurador-geral deixa clara a existência de uma guerra interna muito forte", disse à AFP Luis Benavente, diretor do instituto de pesquisas Vox Populi.

O analista lembrou que o conflito veio à tona quando, após conseguir a prisão preventiva de Keiko, o promotor José Domingo Pérez, membro da 'Lava Jato' peruana, pediu publicamente a renúncia de Chávarry por suposto envolvimento com a organização criminosa "Los Cuellos Blancos del Puerto" (Os colarinhos brancos do porto).

"Não o afasto para que não pensei que é uma represália", foi a resposta de Chávarry.

Benavente disse existir uma clara divisão de forças: de um lado, a equipe especial de Vela, "que conta com o apoio da opinião pública, da mídia e de algumas ONGs", e do outro, o procurador-geral, que conta com o apoio de seus colegas da Força Popular (partido de Keiko).

Chávarry, atingido pelo escândalo de venda de sentenças e tráfico de influência no poder judiciário, negou-se a se afastar. AAs denúncias apresentadas contra o promotor no Congresso, controlado pelo partido opositor Força Popular, foram rejeitadas.

- Mais provas do Brasil -

Segundo o jornal O Globo, nas próximas semanas haverá novas relevações da Odebrecht sobre a 'Lava Jato', devido a um acordo de delação premiada.

"Prevê-se uma longa e forte tempestade entre o governo e o Congresso do Peru nas próximas semanas, devido ao acordo de colaboração eficaz e judicial assinado com a Odebrecht na semana passada", destacou O Globo, citado pelo jornal peruano La República.

O presidente peruano, Martín Vizcarra, disse na terça-feira que "vai chegar informação relevante do Brasil que nos permitirá punir e sancionar quem agiu mal".

"Essa informação vai estremecer [o país, mas] temos que chegar ao fundo da verdade, doa a quem doer, custe o que custar", acrescentou o presidente.

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