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Israel e Hamas manifestaram neste sábado a sua determinação de manter a guerra na Faixa de Gaza, que deixou quase 1.900 mortos desde o início dos combates, em 8 de julho.

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Israel e Hamas manifestaram neste sábado a sua determinação de manter a guerra na Faixa de Gaza, que deixou quase 1.900 mortos desde o início dos combates, em 8 de julho.

Esta guerra é a mais mortal dos quatro maiores conflitos entre Hamas e Israel.

De acordo com um registro apresentado na noite deste sábado por equipes de emergência locais, 1.810 palestinos morreram, em sua grande maioria civis. Israel perdeu 63 soldados desde o início dos combates, além do suposto sequestro do subtenente Hadar Goldin. Foguetes disparados a partir de Gaza mataram três civis em Israel.

"Prometemos desde o início o retorno à calma para os cidadãos de Israel e vamos continuar a agir até que tenhamos atingido este objetivo. Isto levará o tempo que for necessário e empregaremos toda a força necessária", declarou Netanyahu à imprensa em Tel Aviv.

O premiê de Israel afirmou ainda que as forças armadas israelenses "estão prestes a concluir a neutralização dos túneis de Gaza".

E "quando esta ação contra os túneis estiver concluída, o Exército vai se preparar para realizar suas operações tendo nossa segurança como única preocupação", alertou, sem dar mais detalhes sobre a missão que será dada aos soldados.

Segundo Netanyahu, os túneis do Hamas teriam permitido ao movimento "sequestrar e assassinar vários cidadãos em ataques simultâneos".

Já o Hamas prometeu à AFP que vai continuar lutando contra Israel até que os objetivos do movimento sejam alcançados.

"Vamos manter nossa resistência até que nossos objetivos sejam alcançados. Netanyahu quer reivindicar uma falsa vitória de seu governo e de seu Exército", afirmou o porta-voz do movimento, Fawzi Barhum, que se manifestou logo depois das declarações do premiê israelense.

Antes disso, o Exército israelense havia autorizado neste sábado que moradores de alguns setores da Faixa de Gaza voltassem para as suas casas, sem deixar de bombardear outras áreas da região, com um registro de dezenas de mortos, enquanto continua a busca pelo soldado israelense desaparecido.

Testemunhas afirmaram à AFP que haviam constatado uma retirada das tropas israelenses das localidades próximas a Beit Lahiya e a Khan Yunis, sul do território palestino.

Paralelamente, os moradores do norte da Faixa de Gaza recebiam mensagens indicando que poderiam voltar para as áreas de Beit Lehiya e Al-Atatra, de acordo com um comunicado do Exército.

O Exército havia ordenado a retirada de civis desta zona durante suas operações contra o Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

- Explosivos espalhados -

As autoridades israelenses aconselharam os moradores que retornavam as suas casas a "tomar cuidado com os aparatos explosivos que o Hamas espalhou na zona".

Mas nem todos os habitantes dessas localidades pareciam dispostos a retornar. "Não voltaremos a Beit Lahiya. Temos medo que o Exército dispare contra nós", explicou Nadal Salman, de 20 anos, que perdeu os irmãos e que prefere agora ficar em uma escola de Jabaliya, mais ao sul, onde se refugiou após a destruição de sua casa.

O restante da Faixa de Gaza segue sob fogo israelense, 24 horas depois de uma tentativa frustrada de cessar-fogo.

A região de Rafah vem sendo fortemente atacada desde o desaparecimento do subtenente israelense Hadar Doldin.

De acordo com Israel, o soldado de 23 anos foi provavelmente capturado na sexta-feira pela manhã, durante uma operação de destruição de um túnel.

- Discussões previstas no Cairo -

As forças israelenses mantêm sua missão contra o Hamas. Nas últimas 24 horas, Israel atacou cerca de 200 alvos, entre túneis, fábricas de armas e centros de comando, de acordo com o porta-voz do Exército israelense, Peter Lerner.

Ao mesmo tempo, houve incursões na área de Rafah, com o objetivo de encontrar o soldado desaparecido, que teria sido levado através de um túnel, acrescentou o porta-voz.

Em relação a Goldin, Lerner afirmou que por enquanto não se fala em sequestro, já que "ninguém o reivindicou".

As Brigadas Ezedin al-Qassam, braço armado do Hamas, afirmaram que "não possuem informações sobre este soldado", mas reivindicaram o envolvimento de seus combatentes na emboscada que levou a sua captura. Para esse grupo, o soldado pode ter sido morto junto com os combatentes palestinos.

O rompimento da trégua na sexta-feira e o desaparecimento do soldado Goldin deixaram ainda mais distantes as chances de um cessar-fogo.

Uma delegação palestina composta de representantes do Hamas, de seu aliado da Jihad Islâmica e do Fatah chegou neste sábado à noite ao Cairo para novas negociações.

Mas as reuniões em separado de palestinos e israelenses com os mediadores egípcios e americanos não devem acontecer.

Um alto funcionário de Israel afirmou que o país não vai enviar representantes à capital egípcia.

Esse anúncio confirma informações da imprensa local segundo as quais o gabinete de segurança, que reúne os principais ministros em torno do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, havia decidido não enviar ninguém ao Cairo.

"Um acordo não interessa ao Hamas, que apenas brincou com a comunidade internacional", indicou a rádio do Exército, citando uma autoridade política.

Tanto o presidente americano, Barack Obama, como o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, puseram em dúvida a credibilidade do Hamas após o descumprimento do cessar fogo na sexta-feira.

Obama denunciou as ações "incrivelmente irresponsáveis" do Hamas, mas também pediu que Israel proteja os civis.

Além disso, o presidente americano considerou "muito difícil" a instauração de um novo cessar-fogo, "se os israelenses e a comunidade internacional não puderem confiar no Hamas".

AFP