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Explosão do céu de Gaza, após bombardeio israelense, em 17 de julho de 2014

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O governo israelense ordenou na noite desta quinta-feira ao Exército o início de uma operação terrestre na Faixa de Gaza, depois de dez dias de uma ofensiva que já deixou 240 mortos, anunciou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"O primeiro-ministro e o ministro da Defesa ordenaram na noite desta quinta-feira que o Exército iniciasse uma operação terrestre e penetrasse na Faixa de Gaza para destruir os túneis utilizados para atividades terroristas em Israel", indica o gabinete do primeiro-ministro em um comunicado.

"A decisão foi aprovada pelo gabinete de segurança devido à recusa do Hamas em aceitar o plano egípcio de um cessar-fogo e à manutenção dos disparos de foguetes contra Israel".

A operação terrestre tem por objetivo "atingir significativamente as infraestruturas terroristas do Hamas" e "dar segurança aos cidadãos de Israel", indicou um comunicado militar.

Esta ofensiva vai incluir operações de infantaria, de artilharia e de inteligência, apoiadas pela Força Aérea e pela Marinha, acrescentou o Exército.

Enquanto isso, as forças de Israel bombardeavam a Faixa de Gaza com grande intensidade pelo ar e pelo mar. Também foram feitos disparos com tanques posicionados na fronteira, segundo um correspondente da AFP no local.

"A operação do Tsahal (Exército israelense) ocorre de norte a sul da Faixa de Gaza, onde várias forças estão mobilizadas", indicou o comentarista militar de uma televisão israelense.

Logo depois do anúncio da invasão terrestre a Gaza, o Hamas advertiu que Israel vai pagar um "alto preço".

"O início da ofensiva terrestre israelense em Gaza é um passo perigoso, de consequências que não foram calculadas", afirmou o porta-voz do Hamas, Fawri Barhum, em um comunicado.

"Israel vai pagar um alto preço e o Hamas está preparado para o confronto", acrescentou.

Os confrontos entre Israel e Hamas foram retomados nesta quinta após uma rápida trégua humanitária em Gaza.

Bebê entre as vítimas

Novas mortes foram anunciadas depois do anúncio da ofensiva terrestre. Dois palestinos, incluindo um bebê de cinco meses, foram mortos no início da sexta-feira atingidos por disparos de tanques israelenses em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, informaram os serviços locais de emergência.

Israel acusa os combatentes do movimento islamita Hamas de usarem "escudos humanos" em um território em que 1,8 milhão de pessoas vivem na miséria, submetidas ao bloqueio israelense.

A operação "Barreira Protetora" deixou em dez dias mais de 240 mortos e 1.770 feridos. Os civis são as maiores vítimas dos ataques.

Antes do início dos ataques por terra, Washington havia pedido que Israel "redobrasse os esforços para evitar vítimas civis".

Reações internacionais

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lamentou a operação terrestre, enquanto a França manifestou preocupação, ressaltando que "é essencial proteger as populações civis e evitar novas vítimas".

O Egito denunciou "a escalada" israelense e pediu que as partes em combate aceitem sua proposta de trégua.

Antes do início do avanço de Israel por terra, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, havia acusado Israel de querer cometer um "genocídio sistemático" contra os palestinos na Faixa de Gaza.

"Os países ocidentais estão em silêncio, assim como o mundo islâmico", acrescentou Erdogan, que também criticou as Nações Unidas.

Mais de 75% das vítimas destes combates são civis, segundo as Nações Unidas.

Esta onda de violência foi desencadeada pelo sequestro seguido do assassinato de três estudantes israelenses em junho, que Israel atribui ao Hamas. Pouco depois, um adolescente palestino morreu queimado vivo por extremistas judeus em Jerusalém. Os autores do ataque foram acusados nesta quinta pela Procuradoria israelense, de acordo com o Ministério da Justiça em um comunicado.

AFP