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Palestinos observam destruição após bombardeio israelense em Rafah, ao sul da Faixa de Gaza

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Dezenas de palestinos morreram neste sábado na Faixa de Gaza em ataques do exército de Israel, que procura um soldado desaparecido, ao mesmo tempo que o Egito tenta promover um plano para acabar com o conflito.

Depois do fracasso de um cessar-fogo que deveria durar 72 horas, mas que durou apenas 120 minutos, as esperanças de uma trégua duradoura parecem cada vez mais remotas no conflito que matou mais de 1.600 palestinos desde 8 de julho.

Uma delegação palestina deve desembarcar neste sábado no Cairo para novas negociações, sem a presença, a princípio, de representantes de Israel, que decidirá no fim do dia se retornará às conversações, informou uma fonte israelense que pediu anonimato.

Para Israel não se trata apenas de reduzir o perigo representado pelo movimento palestino Hamas, como no início da operação Barreira Protetora, mas encontrar um subtenente de 23 anos desaparecido desde sexta-feira.

De acordo com o exército israelense, o Hamas provavelmente capturou Hadar Goldin na manhã de sexta-feira perto de Rafah, sul da Faixa de Gaza.

Mas o destino de Goldin não impediu as operações do exército no território palestino superpovoado de 362 quilômetros quadrados.

De acordo com o porta-voz do exército israelense, Peter Lerner, quase 200 alvos foram atacados nas últimas 24 horas entre túneis, fábricas de armas ou centros de comando.

Lerner afirmou desconhecer o paradeiro de Goldin e destacou que no momento o exército não fala oficialmente sobre um sequestro, pois nenhum grupo reivindicou a ação.

Mas o exército executou operações de revista na área de Rafah para tentar encontrar o soldado desaparecido, que teria sido conduzido por um túnel.

As Brigadas Ezedin al-Qasam, braço armado do Hamas, afirmaram durante a madrugada que não possuem informação sobre o soldado. Também destacaram que perderam contato com um de seus grupos de combatentes, que podem ter sido vitimados, assim como o soldado israelense.

Uma família dizimada

Desde a meia-noite de sábado, os bombardeios israelenses mataram 57 pessoas na região de Rafah, segundo os serviços de emergência locais.

Desde o fracasso do cessar-fogo, pelo menos 114 pessoas morreram na região, informou o porta-voz dos serviços de emergência, Ashraf al-Qudra.

Quinze mortos pertenciam à mesma família, incluindo cinco crianças com idades entre três e 12 anos.

A ofensiva israelense matou 1.654 palestinos, em sua maioria civis, anunciou Qudra. Sessenta e três soldados israelenses morreram e os foguetes lançados a partir de Gaza mataram três civis em Israel.

A aviação israelense prosseguiu com a operação neste sábado com o bombardeio de uma mesquita em Jabaliya e a destruição de várias casas na cidade de Gaza e seus arredores.

"Os israelenses destroem tudo o que temos e a comunidade internacional não faz nada", disse Mahmud Abu Isa, de 58 anos e que tem 10 filhos.

Uma trégua difícil

Israel iniciou em 8 de julho a guerra para tentar acabar com os lançamentos de foguetes do Hamas e da Jihad Islâmica, assim como com os ataques executados em Israel por comandos infiltrados por túneis.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reafirmou na sexta-feira o direito de defesa de Israel, ao mesmo tempo que pediu mais esforços para proteger os civis em Gaza.

Tanto Obama como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, questionaram a credibilidade do Hamas após o cessar-fogo frustrado de sexta-feira e pediram a libertação do militar israelense.

Para reforçar o sistema de defesa antimísseis israelense 'Iron Dome' (Cúpula de Ferro), o Congresso americano aprovou na sexta-feira uma ajuda de emergência de 225 milhões de dólares, à espera da assinatura de Obama.

O presidente americano considerou "muito difícil' a instauração deum cessar-fogo, caso israelenses e a comunidade internacional não possam confiar no Hamas.

O presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, afirmou neste sábado que o plano de trégua egípcio é uma "oportunidade real" para acabar com o conflito em Gaza.

AFP