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Ativistas de extrema-direita realizam manifestação em apoio a operação israelense em Gaza, do lado de fora da sede do exército, em Tel Aviv, em 29 de julho de 2014.

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Israel, que com meia centena de soldados mortos na ofensiva em Gaza sofre suas piores perdas desde 2006, conta com o apoio da população para prosseguir com a operação, apesar dos apelos internacionais por uma trégua.

"Apertamos os dentes e lutamos!", proclamava na terça-feira a primeira página do jornal gratuito pró-governamental Israel Hayom, com os retratos de cinco jovens soldados mortos na véspera em combate.

Com 53 militares mortos desde o início da incursão terrestre em Gaza, no dia 17 de julho, Tsahal (acrônimo de exército em hebraico) sofre suas maiores perdas desde o conflito de 2006 entre Israel e o Hezbollah libanês.

Familiares e amigos, assim como milhares de anônimos, participam diariamente em todo o país dos funerais dos soldados, alguns transmitidos ao vivo pela televisão.

Este conflito também é uma guerra de imagem e as Brigadas Ezzedim al-Qasam, o braço armado do movimento islamita Hamas, publicaram na terça-feira um vídeo mostrando um ataque através de um túnel na segunda-feira contra uma torre de vigilância do exército no sul de Israel, que deixou cinco israelenses mortos:

Mas em Israel a atmosfera de luto é acompanhada por uma enérgica mobilização patriótica para apoiar os soldados e reservistas mobilizados no front.

Multiplicam-se as iniciativas para cuidar das "crianças do país" (as tropas), como a entrega de comida e de roupas de substituição para o front ou show organizados por astros locais para os feridos.

"Temos que nos preparar para uma longa campanha até termos cumprido com nossa missão", afirmou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. "Não terminaremos esta operação sem ter neutralizado os túneis" que servem para o Hamas lançar operações atrás das linhas israelenses, insistiu.

Mudança de estratégia

No entanto, o objetivo declarado de conquistar uma desmilitarização de Gaza e de destruir o arsenal de foguetes e túneis de ataque do Hamas está longe de ser alcançado. Diariamente ocorrem infiltrações palestinas em Israel.

Diante da nova capacidade operacional do Hamas, a opinião pública israelense parece convencida da necessidade de seguir adiante com as operações militares.

Uma esmagadora maioria (86,5%) dos israelenses são contrários à trégua, segundo uma pesquisa publicada na terça-feira pelo jornal Maariv.

Os opositores à guerra conseguiram reunir milhares de pessoas no último sábado em uma manifestação, a maior desde o início da ofensiva, mas são muito minoritários.

"Acredito que nos próximos dias, se não observarmos uma solução política, o exército terá que mudar de estratégia e avançar ao interior da Faixa de Gaza para aumentar a pressão sobre o Hamas", afirma um ex-chefe dos serviços de inteligência militar, o general Israel Ziv.

Mas avançar até onde? A que preço?, se pergunta o articulista do jornal Yediot Aharonot, Nahum Barnéa. Segundo ele, Israel entrou em uma guerra que não queria e agora se deixa atrair "a cada dia um pouco mais em direção aos combates de Gaza".

O exército israelense afirmou ter matado mais de 300 combatentes do Hamas e atacado 3.900 instalações terroristas desde o início do conflito. Mas nenhum chefe importante das Brigadas Ezzdim al-Qassam, que reivindica ter 20.000 combatentes, parece ter sido eliminado.

O grande medo dos comentaristas israelenses é a perspectiva de um confronto sangrento por nada.

Para Ben Caspit, articulista do Maariv, o golpe contra o Hamas não é suficiente e as dilações do governo de Netanyahu diante da comunidade internacional, que pressiona para um cessar-fogo duradouro, estão se "convertendo em uma brincadeira".

Nos últimos dias, vários anúncios de trégua não permitiram colocar fim às hostilidades que já deixaram ao menos 1.296 mortos e 7.200 feridos palestinos em Gaza desde 8 de julho.

AFP