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O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o governo considera que Pyongyang, demonstrou vontade de resolver o problema dos cidadãos japoneses sequestrados na Guerra Fria, então é necessário um gesto de reciprocidade.

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O Japão anunciou nesta quinta-feira a suspensão parcial das sanções unilaterais contra a Coreia do Norte após os progressos no caso dos japoneses sequestrados durante a Guerra Fria, um sinal de avanço nas relações entre os dois países.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o governo considera que Pyongyang, que aceitou reabrir o caso do sequestro de cidadãos japoneses na Coreia do Norte, demonstrou vontade de resolver o problema, então é necessário um gesto de reciprocidade.

"Decidimos que foi estabelecido um mecanismo sem precedentes para a adoção de decisões nacionais. Em consequência, suspendemos parte das sanções adotadas pelo Japão".

A decisão ocorre após as duas partes se reunirem em Pequim para discutir o paradeiro de centenas de pessoas que o Japão afirma foram sequestradas para ensinar aos espiões norte-coreanos o idioma e os costumes japoneses, durante as décadas de 70 e 80.

No fim de maio, a Coreia do Norte aceitou reabrir o caso em troca da promessa da suspensão de algumas sanções impostas por Tóquio.

Segundo a imprensa japonesa, Tóquio eliminará a exigência de declaração de quantias superiores a 100.000 ienes (1.000 dólares) em dinheiro para os norte-coreanos que viajam ao Japão e permitirá a atracação de navios da Coreia do Norte nos portos japoneses em caso de força maior.

O porta-voz do governo japonês, Yoshihide Suga, afirmou que a Coreia do Norte implantará a partir de sexta-feira a comissão de investigação prometida no fim de maio às autoridades japonesas.

Segundo o jornal Nikkei, a parte norte-coreana entregou na terça-feira à delegação japonesa uma "lista de dois dígitos" com os nomes dos japoneses que podem ter sido sequestrados.

O Japão alega que dezenas e inclusive centenas de pessoas foram sequestradas por espiões norte-coreanos durante as décadas de 1970 e 1980.

Tóquio nunca arquivou o tema e impõe o esclarecimento do caso como uma condição para a eventual normalização das relações com a Coreia do Norte.

Até agora, Pyongyang considerava que a questão dos sequestrados, que afetou 13 pessoas segundo o regime norte-coreano, havia sido resolvida em 2002 com o retorno de cinco detidos ao Japão e o anúncio de que os outros oito estavam mortos.

Tóquio, que cita pelo menos 17 sequestrados, considera as explicações, sem provas, insuficientes.

O governo da Coreia do Sul não vê com bons olhos o diálogo entre Tóquio e Pyongyang, por temer consequências sobre a postura japonesa a respeito da ameaça do programa nuclear norte-coreano.

Mas o governo japonês destacou que são casos separados e que na questão nuclear, Tóquio seguirá em coordenação com Seul e com os Estados Unidos, que tentam isolar Pyonyang do cenário internacional.

As sanções japonesas foram adicionadas às medidas impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas após os testes nucleares e de mísseis balísticos realizados por Pyongyang.

AFP