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Protesto contra a retomada da energia nuclear, em Tóquio, no Japão.

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As autoridades japonesas consideraram, nesta quarta-feira, que dois reatores do sudoeste do país cumprem com os critérios de segurança, uma etapa crucial para a retomada da atividade nuclear nos próximos meses, três anos e meio após o desastre de Fukushima.

Durante este tempo, várias unidades funcionaram durante alguns meses, mas nenhuma tinha recebido o certificado conforme as novas normas, mais severas, que entraram em vigor em julho de 2013.

Os membros da autoridade de regulação aprovaram um amplo informe de 420 páginas a respeito, segundo o qual as disposições técnicas adotadas pela empresa Kyushu Electric Power para as usinas Sendai 1 e 2 (sudoeste) são compatíveis com as novas normas de segurança.

Em um ano de estudo, foi necessário revisar 30.000 documentos, organizar 62 reuniões e mobilizar muitos especialistas para chegar a estas conclusões.

O documento detalha todas as medidas que foram tomadas para enfrentar tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas, tornados e outras catástrofes, como a que ocorreu em março de 2011 na usina de Fukushima Daiichi, após um forte maremoto.

É a primeira vez após o acidente que se dá sinal verde a reatores nucleares, visto que o parque que tem um total de 48 no Japão encontra-se completamente inativo atualmente.

A certificação definitiva de segurança por parte da autoridade independente criada após a catástrofe de 11 de março de 2011, em Fukushima, é indispensável para retomar a atividade de qualquer reator no arquipélago.

"São praticamente os níveis de segurança mais altos de todo o mundo", afirmou nesta quarta-feira o presidente da autoridade, Shunichi Tanaka.

Mas, informou que nunca se pode dizer que os riscos sejam inexistentes: "o exame serve para medir se são respeitadas as normas para que o perigo se reduza tanto quanto possível".

Esta aprovação deve ser definitivamente ratificada após um período de apelações que vai durar 30 dias.

Se tudo sair bem, a validação técnica de Sendai 1 e 2 será aprovada em agosto. A autoridade se limita, no entanto, a dizer se as instalações são seguras ou não e sua reativação depende da decisão dos políticos em nível local e/ou nacional.

- Oposição ao programa nuclear -

O governo conservador do premiê Shinzo Abe pretende "voltar a por em funcionamento todos os reatores que a autoridade de regulação considere seguros", reiterou nesta quarta-feira o porta-voz do governo, Yoshihide Suga.

"É um passo adiante e quero avançar para a reativação com a colaboração das comunidades locais", disse o primeiro-ministro.

As razões são políticas e econômicas. O Japão quer ser independente energeticamente e pretende acabar com os importantes déficits comerciais desde a parada dos reatores, que o obrigou a importar a preço de ouro grandes quantidades de combustível para abastecer suas usinas térmicas.

A possibilidade de reativar os reatores enfrenta a oposição dos ativistas antinucleares, como Greenpeace, que assegura que milhares de habitantes de Kagoshima, onde estão as unidades Sendai 1 e 2, e da província vizinha de Kumamoto estão muito preocupados.

"Os principais problemas são a falta de um plano real de evacuação da população em caso de necessidade, especialmente de idosos, crianças ou pessoas hospitalizadas", acrescentou a organização.

AFP