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Juncker discursa no Parlamento Europeu, em Estrasburgo

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O ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker obteve nesta terça-feira a confirmação do Parlamento Europeu para presidir a Comissão, o Poder Executivo do bloco comunitário.

Os eurodeputados se pronunciaram por voto secreto no qual Juncker, designado em 27 de junho para o cargo pelos chefes de Estado e de Governo, recebeu 422 votos a favor e 250 contra dos 729 exercidos.

A Eurocâmara conta com 751 cadeiras, 47 deputados se abstiveram e 10 votos foram nulos.

O ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker foi nomeado para presidir a Comissão Europeia, apesar da firme oposição do primeiro-ministro britânico David Cameron.

Em teoria, Juncker podia aspirar conseguir os 480 votos em virtude do compromisso entre o Partido Popular Europeu com os socialistas e os liberais em resposta ao avanço dos eurocéticos e antieuropeus nas eleições de 25 de maio.

Até o final, Juncker tentou convencer os deputados acenando com uma agenda de compromissos e promessas, entre elas a de mobilizar um ambicioso plano de investimentos de 300 bilhões de euros para "reindustrializar" a União Europeia.

Durante seu discurso, Juncker afirmou que com "25 milhões de homens e mulheres sem emprego, a crise econômica na UE não acabou ".

O luxemburguês pediu que sejam coordenadas políticas econômica e que se crie uma espécie de governo econômico destinado a dar voz única ao bloco.

Nesse sentido, Juncker afirmou desejar que a União Econômica e Monetária, ou seja, os membros da zona euro, possam ocupar "uma única cadeira nas instituições de Bretton Woods", o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, uma perspectiva que provocou protestos dos eurocéticos presentes no parlamento.

"O euro protege a Europa", enfatizou, destacando que sem a construção de um "continente de paz" os países membros estariam "fragilizados", declarações vaiadas pelos antieuropeus e eurocéticos.

- TLC com EUA mas não a qualquer preço -

Juncker também prometeu transparência nas negociações com os Estados Unidos para criar a zona de livre comércio mais importante do mundo, com a divulgação dos documentos relativos às negociações.

A falta de transparência é uma das principais críticas à Comissão Europeia, que não tornou público o mandato de negociação que recebeu dos Estados membros.

Mas uma versão que vazou para a imprensa dá a entender que a UE cederia a soberania ante eventuais litígios judiciais.

"Sou a favor de concluir este acordo, mas não a qualquer preço. Não podemos abandonar nossas normas de saúde, nossas normas sociais, nossas exigências em termos de proteção de dados", disse, antes de afirma que não deseja a instauração de "jurisdições paralelas secretas".

Juncker também afirmou que não acontecerão novas adesões ao bloco europeu nos próximos cinco anos, mas confirmou a continuidade das negociações com os países aspirantes, entre eles os dos Bálcãs ou a Turquia.

Veterano da política europeia

O ex-premiê de Luxemburgo e presidente do Eurogrupo é um veterano da política europeia de visão federalista.

Esta é precisamente a razão pela qual o primeiro-ministro britânico David Cameron se opôs à escolha, chegando a declarar que este era "um dia sombrio para a Europa, que pode enfraquecer os governos nacionais", durante uma coletiva de imprensa.

Apesar da relutância inicial, inclusive da chanceler alemã Angela Merkel, todos os líderes, de direita e esquerda, uniram-se progressivamente em torno da nomeação de Juncker.

A Comissão é o órgão mais importante das instituições europeias. Tem entre suas prerrogativas o quase monopólio da iniciativa legislativa, também é responsável pela aplicação das leis e vela pelo respeito dos tratados.

O organismo tem 28 comissários, um por Estado membro, e envolve todos os temas relacionados à UE. desde questões de concorrência até justiça, passando por agricultura, energia, política digital ou ajuda humanitária.

AFP