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Jihadistas conquistam cidade iraquiana de Sinjar, vizinha à Síria

Integrante das forças curdas, os 'peshmergas', observa militantes sunitas liderados pelos jihadistas do EI em 21 de junho em Bashir afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. agosto 2014 - 12:34
(AFP)

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) retomou neste domingo das forças curdas o controle da cidade iraquiana de Sinjar, noroeste do país, de onde expulsaram quase 200.000 pessoas, segundo a ONU.

A tomada de Sinjar, a 50 km da fronteira síria, representa o segundo revés em dois dias para os combatentes curdos ante os jihadistas, que proclamaram no fim de junho um "califado" nos territórios sob seu controle na Síria e Iraque.

"Os peshmerga (combatentes curdos) se retiraram de Sinjar, o EI entrou na cidade", afirmou à AFP Jeir Sinjari, líder do partido União Patriótica do Curdistão (UPK).

"Hastearam a bandeira nos edifícios do governo", completou Sinjari.

"Os peshmerga se retiraram para áreas de montanha e estão recebendo reforços", disse uma fonte das forças curdas.

Sinjar, situada entre a fronteira com a Síria e a cidade iraquiana de Mossul, tinha 310.000 habitantes e também abrigava milhares de pessoas deslocadas pela ofensiva das últimas semanas dos insurgentes sunitas, liderados pelo EI, na região. Uma parte dos refugiados são turcomanos xiitas.

A cidade também é o lar histórico dos yazidis, uma minoria de língua curda adepta de uma religião pré-islâmica procedente em parte do zoroastrismo. Os jihadistas os consideram adoradores do diabo.

"Milhares de pessoas fugiram, algumas para as montanhas próximas sob controle curdo e também para Dohuk", na região autônoma do Curdistão, disse outra fonte da UPK.

De acordo com o UPK, os jihadistas sunitas destruíram o santuário xiita de Sayeda Zeinab, pouco depois de assumir o controle de Sinjar.

O EI, que controla amplos territórios no norte e oeste do Iraque, divulgou na internet fotografias de seus combatentes patrulhando a principal avenida de Sinjar.

Novo revés para os curdos

"Uma tragédia humanitária está acontecendo em Sinjar", declarou o enviado da ONU ao Iraque, Nickolay Mladenov.

O diretor do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Brendan McDonald, citou até 200.000 pessoas deslocadas.

"Precisam imediatamente de água, mantimentos, abrigos e serviços de saúde", disse.

A tomada Sinjar acontece um dia depois da conquista de Zumar, outra cidade próxima a Mossul, de onde o EI expulsou as forças curdas após combates violentos.

Os insurgentes assumiram o controle ao mesmo tempo de dois campos de petróleo com produção total de 20.000 barris diários, assim como de uma pequena central de energia elétrica.

Zumar e Sinjar integravam as áreas que os peshmerga assumiram o controle após a retirada do exército iraquiano, no início da ofensiva dos insurgentes sunitas em junho.

As forças curdas, consideradas as mais bem organizadas do país, também enfrentam as dificuldades financeiras e militares para garantir a segurança de um território 40% mais amplo.

Uma delegação curda está atualmente nos Estados Unidos para obter apoio militar.

Mas a ajuda precisa, em tese, da aprovação de Bagdá, onde as instituições estão quase paralisadas. Os deputados xiitas têm até 8 de agosto para designar o candidato ao cargo de primeiro-ministro.

Na luta contra os jihadistas, as forças do governo perderam 23 soldados no fim de semana em um ataque do EI contra a localidade de Jurf al-Sakhr, ao sul de Bagdá.

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