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Jornalistas e mídia opositora denunciam ser alvo de ataque na Nicarágua

Policiais da tropa de choque atiram bombas de efeito moral na direção de de jornalistas durante protesto contra o governo do presidente nicaraguense Daniel Ortega em Manágua, 29 de setembro de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. dezembro 2018 - 19:51
(AFP)

Jornalistas e veículos de comunicação opositores enfrentam uma escalada de ataques, prisões arbitrárias, assédio e ameaças na Nicarágua, advertem organismos humanitários e sindicais, que denunciam a intenção do governo de "restringir a liberdade de expressão".

A presidente do Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh), Vilma Núñez, declarou que "a agressão neste momento está se dando contra os meios independentes" com a intenção de "restringir a liberdade de expressão".

Núñez tinha previsto expor nesta terça-feira (4), em Washington, a situação da imprensa independente da Nicarágua ante o relator para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza.

Desde que começaram os protestos antigovernamentais, em 18 de abril, o governo do presidente Daniel Ortega visou o jornalismo independente, mas os comunicadores reportam um escalonamento nas últimas semanas dos atropelos, com ações de forças policiais que incluem assédios, ameaças e agressão física e agressão física sem enfrentar acusações.

- 'Ação coordenada' -

A opositora Radio Darío, na cidade de León (noroeste), foi tirada do ar na noite de segunda-feira. No mesmo dia, o jornalista Miguel Mora, dono do canal a cabo 100% Noticias, foi acusado de "incitação ao ódio e à violência".

"Neste momento, a Radio Darío está fora do ar e todo o pessoal em casas de refúgio ou escondido", denunciou nesta terça-feira nas redes sociais seu diretor Aníbal Toruño, que deixou o país por razões de segurança há dois meses.

A emissora tinha sido incendiada em 20 de abril e operava em outro local. Mas a Polícia fez uma batida na nova sede e levou os equipamentos, após uma operação de mais de três horas e ameaças de derrubar portas.

Mora foi acusado de incitação ao ódio e à violência por familiares de um agente policial e um trabalhador da prefeitura de Carazo (Pacífico central), mortos em enfrentamentos durante os meses mais duros dos protestos.

"Essa acusação é uma das centenas (...) Me acusam por tudo, me apontam em tudo (...) O objetivo é nos calar, que coloquemos vídeos musicais, que vamos embora do país, me ameaçam com prisão e morte", declarou.

O capítulo nicaraguense da organização internacional de escritores PEN, por sua vez, denunciou uma "ação coordenada" entre civis e entidades do governo para "criar um artifício legal, sem fundamento, para deter" o jornalista e impedir que seu canal continue denunciando abusos.

"Não existe precedente no país de que se acuse judicialmente um veículo por incitação à violência. O canal a cabo 100% Noticias se limitou a informar sobre o agir ilegal e violento da Polícia e de grupos paramilitares", expôs, em um comunicado.

Na sexta-feira passada, a opositora Radio Mi Voz, de León, encerrou as operações temporariamente devido ao assédio da Polícia, segundo seu proprietário, Álvaro Montalván, que dias antes foi detido violentamente e preso sem acusações, segundo denunciou.

A CIDH, entidade autônoma da OEA, advertiu em julho passado para uma nova etapa repressiva na Nicarágua, centrada nos meios de comunicação e em jornalistas críticos ao governo, depois que o governo lançou a chamada "operação limpeza", com a qual eliminou os bloqueios de rodovias e capturou os líderes dos protestos.

A Fundação Violeta Barrios de Chamorro documentou até o começo de novembro mais de 400 casos de agressões contra a imprensa independente desde que começaram os protestos antigovernamentais.

Os jornalistas das cidades do interior são os mais afetados e muitos tiveram que deixar o país por razões de segurança, de acordo com organismos sindicais.

As autoridades não se pronunciaram sobre as denúncias de veículos e jornalistas.

A repressão aos protestos deixou 325 mortos, 600 detidos e milhares de pessoas saíram do país por medo de represálias, segundo entidades humanitárias.

O caso mais grave de atentado contra a liberdade de expressão foi a morte do jornalista Ángel Gahona, atingido por um tiro enquanto transmitia os protestos na cidade de Bluefields.

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