Navigation

Juiz peruano anula indulto a ex-presidente Fujimori

Ex-presidente peruano Alberto Fujimori em uma foto de 25 de julho de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 03. outubro 2018 - 17:41
(AFP)

Um tribunal peruano anulou, nesta quarta-feira (3), o indulto humanitário ao ex-presidente Alberto Fujimori, concedido em dezembro pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski, informou o Poder Judiciário.

O juiz Hugo Nuñez Julca "declarou fundamentado um pedido da parte civil de não aplicação do indulto humanitário em favor de Alberto Fujimori", informou o Judiciário no Twitter.

Além disso, a Justiça peruana afirmou que emitiu um mandado de prisão contra Fujimori, de 80 anos, que vive em Lima desde que recuperou sua liberdade em dezembro de 2017.

"O juiz emitiu a ordem de detenção contra o ex-presidente Fujimori para que ele seja reintegrado ao estabelecimento prisional designado pela autoridade prisional", tuitou o Judiciário.

Alejandro Aguinaga, médico de Fujimori, não escondeu sua surpresa com a notícia. "Vemos que no Peru nada é respeitado, não se respeita a independência dos poderes. O indulto ao presidente Fujimori foi uma ação constitucional", disse ele indignado à rádio RPP.

Carlos Rivera, advogado dos familiares das vítimas que pediram a anulação do indulto, justificou à AFP a decisão argumentando que "irregularidades no processo de indulto foram cometidas".

"O indulto de Kuczynski a Alberto Fujimori não tem valor legal e, portanto, ele deve retornar à prisão por irregularidades no processo", disse Rivera, observando que "as normas internacionais para o indulto humanitário não foram cumpridas".

A defesa de Fujimori já informou que a decisão judicial "pode ser recorrida, uma vez que se trata de um pedido em primeira instância", assegurou seu advogado Miguel Pérez à rádio RPP.

Em junho, a Corte Interamericana ordenou que o indulto a Fujimori fosse revisado por supostos erros no processo, e estabeleceu o mês de outubro como prazo para a Justiça se pronunciar.

O ex-presidente, que tem problemas crônicos de saúde como hipertensão e arritmia cardíaca, recebeu um indulto humanitário em dezembro de 2017 depois de 12 anos de prisão, onde cumpria uma sentença de 25 anos por crimes contra a humanidade durante seu governo (1990-2000).

Presume-se que o mandado de prisão seja cumprido durante o dia. Fujimori mora sozinho em um bairro residencial na zona leste de Lima.

Keiko Fujimori, sua filha mais velha e líder da oposição, cancelou uma viagem ao interior do país, segundo pessoas próximas.

Desde que recuperou sua liberdade há sete meses, o engenheiro e matemático Fujimori vive recluso para escrever, cultivar plantas no jardim - uma de suas paixões - e alternar seu tempo com seus quatro filhos e duas netas.

"Nos poucos anos que me restam, vou me dedicar a três objetivos: unir minha família, melhorar minha saúde e fazer um balanço equilibrado e sereno da minha vida. Estes são meus três principais objetivos para alcançar minha oitava década de existência", declarou em julho por ocasião do 80º aniversário em um texto manuscrito enviado à AFP.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.