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Justiça argentina dita sentencia por acobertamento no caso da AMIA

Várias pessoas andam pelos escombros do prédio da AMIA, depois de um ataque com explosivos, em 18 de julho de 1994, em Buenos Aires afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. fevereiro 2019 - 13:06
(AFP)

Passados 25 anos do violento atentado que destruiu o centro judaico AMIA, a Justiça argentina vai ditar nesta quinta-feira a setença contra os acusados, entre eles o ex-presidente Carlos Menem, de encobrir os autores do pior ataque da história do país.

Até agora, não há detidos pelos atentados contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), realizado em 18 de julho de 1994 e que deixou um balanço de 85 mortos e 300 feridos, e contra a embaixada de Israel em 1992, com 29 mortos e 200 feridos.

O julgamento durou quatro anos.

Nesta quinta-feira, será lida a primeira decisão histórica vinculada ao atentado contra a AMIA. Serão ouvidos ante as últimas alegações de Menem e de Hugo Anzorreguy, ex-chefe de Inteligência do Estado.

No total, são 13 réus, entre eles o ex-líder da comunidade judaica na década de 1990, Rubén Beraja, apontado como cúmplice de tentar desviar a investigação para uma pista falsa.

Outro réu é o ex-juiz Juan José Galeano, demitido por mau desempenho ao investigar o ataque.

Os autores do processo são três associações de familiares das vítimas e outros dirigentes comunitários, além do ministério da Justiça e policiais falsamente acusados.

Os 13 réus são acusados de violação dos meios de prova, falsidade ideológica, ocultação, abuso de autoridade e peculato.

O ataque não foi reivindicado, mas a Argentina acusou os ex-governantes do Irã, incluindo o ex-presidente Ali Rafsanjani, de preparar e executar o ataque. Israel também acusa Teerã.

Os iranianos se negam a ser interrogados e rejeitam as acusações.

Galeano é acusado de ter pagado 400.000 dólares a Carlos Telleldín, um vendedor de carros roubados e informante da polícia em troca de acusar um grupo de policiais. Telleldín é acusado de fornecer a caminhonete-bomba que explodiu o edifício.

O ex-juiz justificou o pagamento a Telleldín com fundos do governo Menem porque "era essencial" esclarecer o ataque e negou que tenha agido por ordem de Menem.

- Pista síria -

Para Menem, o ministério público pede quatro anos de prisão. Ele é acusado de ter ordenado que o juiz abandonasse a chamada "pista síria", que envolveu um cidadão dessa origem, Alberto Kanoore Edul, e outros empresários que compraram o amonal, o explosivo usado no ataque.

As famílias de Menem e Kanoore eram amigos desde a época de seus avós na cidade síria de Yabrud.

Uma hipótese, nunca provada, supõe uma suposta vingança dos governos da Síria e da Líbia, dos quais Menem teria recebido fundos para sua campanha eleitoral, mas depois ele teria se recusado a fornecer material militar sob pressão dos Estados Unidos.

Às pistas iranianas e sírias, se soma outra nunca investigada e que aponta para grupos argentinos antissemitas de extrema direita.

No início da causa, Menem afirmou que contava com informações secretas sobre o caso, mas que não podia revelá-las.

Seu advogado chegou a afirma, em 2016, que o ex-presidente poderia ser isentado do segredo para testemunhar, mas que isso talvez envolvesse razões de Estado que afetariam o atual Governo, os interesses da Nação e a convivência pacífica com outras nações.

Outro processo por ocultação está aberto contra a ex-presidente Cristina Kirchner por promover um memorando judicial com o Irã no Congresso.

Mas Teerã não honrou o acordo e a Interpol disse que a Argentina nunca pediu para cancelar os alertas vermelhos contra os iranianos.

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