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Justiça francesa acusa ex-ministra da Saúde por sua gestão da covid-19

A ex-ministra da Saúde, Agnes Buzyn, responde aos jornalistas ao chegar ao Tribunal de Justiça da República (CJR), em Paris, em 10 de setembro de 2021. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. setembro 2021 - 16:55
(AFP)

A justiça francesa acusou, nesta sexta-feira (10), a ex-ministra da Saúde Agnès Buzyn de "colocar em risco a vida de outras pessoas" durante sua gestão da pandemia da covid-19, indicou o procurador-geral do Tribunal de Justiça da República (CJR).

Buzyn torna-se a primeira autoridade a ser acusada no âmbito do inquérito iniciado em julho de 2020 por este tribunal, competente para apurar crimes cometidos por membros do Governo no exercício das suas funções.

A atual funcionária da Organização Mundial da Saúde (OMS) também passará a ter o status mais favorável de “testemunha assistida”, antes de uma eventual acusação, para “abstenção voluntária de contestar uma reclamação”, segundo a fonte.

"Não vou deixá-los sujar a ação do governo (...) quando temos feito tanto para preparar nosso país para uma crise de saúde global que ainda dura", disse Buzyn ao chegar ao tribunal pela manhã com seu advogado, Eric Dezeuze.

O CJR, que recebeu cerca de 14.500 ações judiciais, abriu uma investigação em julho de 2020 sobre a gestão da crise por Buzyn, por seu sucessor, Olivier Véran, e pelo ex-primeiro-ministro Edouard Philippe.

Esta médica de profissão era responsável pela pasta da Saúde quando, em dezembro de 2019, começaram a aparecer as primeiras notícias sobre um vírus detectado na cidade chinesa de Wuhan.

No entanto, em meados de fevereiro, ela deixou o cargo para ser a candidata oficial a prefeita de Paris após a renúncia de Benjamin Griveaux devido ao vazamento de um vídeo sexual.

Ainda que, em 24 de janeiro de 2020, ela assegurasse que “os riscos de disseminação do coronavírus eram baixos”, após sua derrota nas eleições municipais, ela reconheceu seus temores quando era ministra sobre a epidemia que se aproximava.

“Quando deixei o ministério, estava chorando porque sabia que a onda do tsunami estava diante de nós”, disse ao jornal 'Le Monde' em 17 de março, o primeiro dia de confinamento na França.

As suas declarações, confirmadas em junho de 2020 quando disse aos deputados franceses que tinha alertado a presidência francesa e o primeiro-ministro do potencial "perigo", desencadearam uma onda de indignação.

Desde o início da epidemia, a França registrou mais de 6,8 milhões de infecções confirmadas e a morte de 115.362 pessoas de covid-19, de acordo com dados das autoridades de saúde na quinta-feira.

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