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Justiça mexicana acusa ex-diretor da Pemex de receber US$ 10,5 milhões da Odebrecht

Guarda Nacional do México patrulha o Hospital Pedregal de Angeles, onde, segundo a mídia local, o ex-diretor da PEMEX, Emilio Lozoya, está internado e prestou depoimento no segundo dia de seu julgamento, na Cidade do México, em 29 de julho de 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. julho 2020 - 20:36
(AFP)

A justiça mexicana decidiu na quarta-feira processar o ex-diretor da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) por três crimes vinculados à corrupção da empreiteira brasileira Odebrecht, que supostamente o subornou com mais de 10 milhões de dólares em troca de contratos de obras.

O juiz determinou o julgamento de Emilio Lozoya pelo uso de recursos de origem ilícita, associação criminosa e suborno, segundo informações divulgadas pelo Poder Judiciário à imprensa por um serviço de mensagens instantâneas.

O magistrado, no entanto, decretou liberdade condicional para Lozoya no caso, ao mesmo tempo que impôs uma série de medidas cautelares que incluem a proibição de sair da Cidade do México e do país, o uso de tornozeleira eletrônica e o comparecimento a cada 15 dias à justiça.

"Você sabia que os recursos eram da Odebrecht e recebeu US$ 10,5 milhões como propina, se associou à sua mãe, esposa e outra pessoa com o objetivo de cometer um crime", disse um promotor no julgamento que começou na terça-feira.

Com as supostas propinas, Lozoya adquiriu, por meio de familiares, imóveis para "ocultar" a origem dos recursos e transferiu outros para contas bancárias na Europa, de acordo com a acusação.

A Odebrecht teria sido beneficiada com US$ 39 milhões em obras no México.

O depoimento foi realizado por videoconferência, devido ao ex-funcionário de 45 anos ter sido hospitalizado com anemia após ser extraditado da Espanha em 17 de julho, depois de ser detido em fevereiro.

Funcionários da Odebrecht "pediram (a Lozoya) seu apoio para beneficiar a empreiteira com contratos de obras públicas e prometeram US$ 6 milhões para várias obras, como a refinaria de Tula" (Hidalgo, centro), continuou a promotoria.

Por transferências do exterior para o território nacional, "sabendo que era ilegal", a Procuradoria também o acusou de "operações (com recursos) de origem ilícita" e "associação criminosa".

Lozoya, de acordo com o Ministério Público, "tentou ocultar várias movimentações e contas bancárias, principalmente quando era coordenador" da campanha que levou Enrique Peña Nieto à Presidência em 2012.

Advogado e economista com pós-graduação em Harvard, o ex-diretor foi um colaborador próximo a Peña Nieto na referida campanha, na qual atuava como gerente de assuntos internacionais. Agora ele é visto como uma peça-chave para determinar se o ex-presidente se beneficiou dos subornos.

"Fiquei intimidado, pressionado, influenciado e instrumentalizado", disse Lozoya no final da primeira parte da audiência, depois de se declarar inocente e querer "colaborar".

Na terça-feira, o mesmo juiz do caso decidiu processá-lo pela compra, entre 2013 e 2015, de uma fábrica de fertilizantes pela qual a Pemex pagou cerca de 485 milhões de dólares, preço considerado excessivo, já que a fábrica não era usada há 14 anos.

Sua irmã, Gilda Lozoya (fugitiva) e o empresário Alonso Ancira, que administrou a venda da fábrica e enfrenta um processo de extradição na Espanha, também são acusados nesta denúncia.

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