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López Obrador espera se reunir com Trump em Washington no inícios de julio

O presidente de México, Andrés Manuel López Obrador, em 10 de dezembro de 2019 na Cidade do México afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. junho 2020 - 14:25
(AFP)

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta quarta-feira (24) que planeja se encontrar com chefe de Estado americano, Donald Trump, em Washington em julho, em uma reunião proposta pelo mexicano, onde também é esperado o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

"É muito provável que eu vá a Washington e me encontre com o presidente Trump e em breve estaremos apenas esperando para definir a natureza da reunião", disse o presidente em sua habitual entrevista coletiva pela manhã.

A reunião, programada para o início de julho, busca comemorar a ativação do T-MEC, o acordo comercial renovado entre os três países que entrará em vigor na próxima quarta-feira.

Trump e López Obrador não se encontraram pessoalmente desde que o presidente mexicano assumiu o cargo em 1º de dezembro de 2018.

Desde então, ele também não se encontra pessoalmente com Trudeau.

"Estamos aguardando o convite do governo dos Estados Unidos para o governo do Canadá", disse o líder esquerdista.

"De qualquer forma, vamos participar porque nos preocupamos com a possibilidade de participar do início deste contrato, que considero histórico e muito oportuno", acrescentou.

- "Um erro colossal" -

O Ministério das Relações Exteriores do México informou que a reunião foi uma proposta de López Obrador e simboliza a importância que o país atribui ao T-MEC e à cooperação com seus parceiros norte-americanos, "vitais para a recuperação econômica e a promoção de investimentos".

O encontro acontecerá depois que os Estados Unidos "mostrarem solidariedade" ao México "em momentos de escassez global de suprimentos vitais", vendendo respiradores e máscaras para enfrentar a pandemia de COVID-19, explicou no Twitter o diretor para a América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, Roberto Velasco.

A reunião com Trump, que até a semana passada parecia quase descartada por López Obrador, recebeu críticas de diplomatas mexicanos como o ex-embaixador de Washington Arturo Sarukhan (2007-2013).

Ele afirmou que um encontro apenas com Trump seria "um erro colossal" para o relacionamento bilateral, porque o americano só pretende "usar" seu colega mexicano em face das eleições presidenciais de novembro, onde está buscando a reeleição.

"Visitar Trump em momentos de maior revolta social e ideológica na vida do país em 50 anos (...) será interpretado por muitos aqui como um elogio ao presidente mais polarizador da vida moderna nos Estados Unidos", Sarukhan, morador de Washington.

Se ele persistir na reunião, Sarukhan considerou, o México deve garantir a presença de Trudeau e organizar uma reunião com Joe Biden, um candidato democrata e rival de Trump, em paralelo.

- "Construir pontes" -

Diante das críticas, Velasco sustentou que a diplomacia mexicana consiste em "construir pontes com todos os povos".

O evento "visa promover nossos interesses e não está inserido nos processos políticos internos dos quais o México é respeitoso", acrescentou.

Trump elogiou López Obrador na terça-feira e disse que esperava recebê-lo "muito em breve" na Casa Branca.

"Implementamos acordos inovadores com o México. Quero agradecer ao presidente do México. Ele é realmente um cara legal", disse Trump no Arizona.

A ideia de uma possível reunião com Trump foi mencionada por López Obrador desde abril, após uma conversa por telefone entre os dois líderes.

O T-MEC, sucessor do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) em vigor desde 1994, foi acordado em 30 de novembro de 2018, após negociações árduas iniciadas em agosto de 2017, a pedido de Trump.

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