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Lula critica Bolsonaro e busca alianças para 2022

Ex-presidente brasileiro (2003-2011) Luiz Inácio Lula da Silva, dá entrevista coletiva no prédio do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, Brasil, em 10 de março de 2021. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. março 2021 - 17:35
(AFP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (10) a política "imbecil" do governo de Jair Bolsonaro contra o coronavírus e se apresentou como uma figura de conciliação em um país devastado pela pandemia e crise econômica.

Em sua primeira aparição pública desde que recuperou os direitos políticos por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente (2003-2010) não informou se pretende se apresentar à disputa presidencial de 2022, mas se disse aberto a buscar alianças com todos os setores.

"Vou ser muito claro: eu seria pequeno se estivesse pensando em 2022 nesse instante", quando os mortos pela pandemia batem recordes, declarou o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).

"O partido vai pensar, quando chegar o momento, se vai ter candidato ou vai ser candidato numa frente ampla. Mas acho que agora os partidos têm que colocar as lideranças para discutir a vacina, o salário", acrescentou.

O desastre da crise sanitária no Brasil, o segundo país em número de mortos pelo coronavírus atrás dos Estados Unidos, foi o principal tema de seu discurso no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Nesta quarta, o Brasil superou pela primeira vez as duas mil mortes diárias pela covid-19, com 2.286 óbitos em 24 horas, totalizando 270.656.

"Quero fazer propaganda para que o povo brasileiro não siga nenhuma decisão imbecil do Presidente da República ou do Ministério da Saúde. Tome vacina, tome vacina porque essa é uma das coisas que pode livrar você da covid", afirmou Lula, anunciando que será vacinado na próxima semana.

O ex-presidente, de 75 anos, lamentou que "as mortes estão se naturalizando" no Brasil.

"Muitas delas poderiam ter sido evitadas, se a gente tivesse um governo que fizesse o elementar", considerou.

"A primeira coisa que deveria ter sido feita no ano passado era criar um comitê de crise" com a participação de cientistas, mas "tivemos um presidente que falava de cloroquina e que era uma gripezinha", continuou, referindo-se às declarações de Bolsonaro que minimizaram a pandemia e preconizaram o uso de medicamentos sem evidências de eficácia contra a doença.

"Este país não tem governo, não tem Ministro da Saúde, não tem Ministro da Economia" e "por isso está empobrecido", acusou Lula.

"É um país desgovernado", acrescentou.

A economia brasileira encolheu 4,1% no ano passado, uma queda amortecida pelo pagamento do auxílio emergencial a um terço da população, mas que em janeiro foi encerrado.

Bolsonaro não tardou a responder.

“Não faltou recurso. O governo federal fez a sua parte” no combate à doença, disse o presidente em entrevista à CNN Brasil.

"Lula começou sua campanha. E como não tem nada de bom para mostrar, e essa é uma regra do PT, a campanha deles é baseada em criticar, mentir e desinformar", acrescentou.

Ele se apresentou usando uma máscara, o que ele geralmente evita, e usando palavras mais moderadas do que o normal.

"Confiamos no nosso governo, confiamos no nosso Ministério da Saúde (...), porque a seriedade e a responsabilidade fazem parte do nosso governo", disse o presidente.

"O discurso de Lula abriu o calendário eleitoral”, disse à AFP o analista político Creomar de Souza, da consultoria Dharma.

“Quando Lula fala que não é radical (...), ele está sinalizando para o mercado”, acrescentou.

A Bolsa de Valores de São Paulo, que havia caído quase 4% quando Lula recuperou seus direitos políticos, subiu na quarta-feira 1,3%.

- "Não tenham medo de mim" -

Segundo pesquisas, Lula é o político com mais chances de impedir a reeleição de Bolsonaro, embora seu nome enfrente forte resistência em setores da classe média e em outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

Lula não comentou se assumirá o papel de candidato, mas deixou claro que terá um papel de protagonista e que se dedicará a dissipar os receios.

"Não tenham medo de mim. Eu sou radical porque quero ir à raiz dos problemas neste país. Porque quero ajudar a construir um mundo justo, mais humano, em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime. Em que a mulher não seja tripudiada por ser mulher. Um mundo em que a gente venha a abolir o maldito preconceito racial", proclamou, acrescentando que pretende "conversar com empresários".

Lula acrescentou que continuará lutando para ser totalmente inocentado das acusações de corrupção pelas em 2018 o levaram à prisão durante 18 meses.

"Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história", declarou.

O ministro do STF, Edson Fachin, decidiu na segunda-feira anular as sentenças e todo o processo contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato.

Porém, a decisão não significou sua absolvição, apenas indicou que o petista deve ser julgado pela Justiça Federal no Distrito Federal.

"A palavra desistir não existe no meu dicionário", afirmou Lula.

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