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Lula se arrepende de ter protegido extremista italiano Cesare Battisti

Extremista italiano Cesare Battisti (C), é escoltado por agentes da polícia italiana depois de descer do avião procedente da Bolívia, em 14 de janeiro de 2019 no aeroporto de Ciampino em Roma afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. agosto 2020 - 15:39
(AFP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) lamentou ter protegido o extremista italiano Cesare Battisti, que no ano passado confessou quatro assassinatos na década de 1970.

"Hoje, acho que, assim como eu, todo mundo da esquerda brasileira que defendeu Cesare Battisti aqui ficou frustrado, ficou decepcionado. Eu não teria nenhum problema de pedir desculpas à esquerda italiana e às famílias do Battisti", disse Lula em um programa de debates da TV Democracia divulgado na quinta-feira por um canal do Youtube.

No último dia de seu mandato, Lula negou a extradição e concedeu asilo político a Battisti, que por quatro décadas viveu na França, México e Brasil, alegando ser inocente, até que em 2019 foi extraditado da Bolívia e condenado à prisão perpétua na Itália.

O ex-presidente alegou que seu então ministro da Justiça, Tarso Genro, assim como outros líderes da esquerda brasileira, estavam convencidos da inocência de Battisti.

Segundo Lula, Battisti, de 65 anos, enganou "muita gente no Brasil".

"Não sei se enganou muita gente na França, mas na verdade muita gente achava que ele era inocente. Nós cometemos esse erro, pediremos desculpas", declarou Lula, lamentando que o caso tenha "comprometido" suas boas relações com o governo italiano e "com toda a esquerda italiana e a esquerda europeia".

Os familiares das vítimas do extremista italiano na Itália reagiram ao arrependimento do ex-presidente Lula.

"Desculpas de Lula? Antes tarde do que nunca", comentou ao canal RaiNews, nesta sexta-feira, Alberto Torregiani, filho de Pierluigi, joalheiro assassinado em 1979 pelo grupo radical PAC.

O filho de Torregiani, que se feriu no tiroteio, ficando paralítico, considerou o arrependimento do ex-presidente "um bom passo".

Para Maurizio Campagna, irmão de Andrea, policial morto aos 25 anos por um comando do PAC, esse é um sinal importante. "É bom que uma pessoa como ele, que foi presidente do Brasil, admita que fez uma avaliação errada. Dá credibilidade. Claro, as desculpas chegaram um pouco tarde, mas estamos felizes", disse à mídia italiana.

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