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Mãe de bebê concebido por três progenitores comemora ‘importante passo científico’

Uma enfermeira pediátrica segura um bebê prematuro depois de alimentá-lo no hospital geral de Medellín, em 20 de agosto de 2014, em Medellín, Colômbia. afp_tickers

A mãe do bebê concebido com o DNA de três progenitores diferentes nasceu na Grécia, nascido na terça-feira na Grécia, comemorou um “importante passo científico” que permitiu “a mais bela experiência da minha vida após quatro tentativas” fracassadas de fertilização in vitro.

A grega Matina Karavokyri, de 32 anos, explicou que, segundo este método de concepção assistida, “todo (o seu) material genético” foi introduzido no óvulo de uma doadora, que teve seu próprio material genético esvaziado.

“É como se tivessem colocado o meu óvulo em um carrinho para que pudesse viajar para o útero”, disse em entrevista à agência de notícias grega ANA.

Matina Karavokyri deu à luz um bebê de 2,960 kg na terça-feira em uma clínica em um subúrbio de Atenas.

Por meio desta polêmica técnica de concepção assistida, a equipe greco-espanhola, dirigida pelo embriologista grego Panagiotis Psathas com a ajuda do cientista espanhol Nuño Costa Borges, transferiu o material genético que contém os cromossomos da mãe ao óvulo de uma doadora, “esvaziado” de seu material genético original.

Uma vez conseguida essa transferência ao óvulo “portador”, este foi fecundado in vitro com o esperma do pai e o embrião implantado no útero da mãe, cuja infertilidade se devia, segundo a interessada, a um “problema de endométrio”.

“Não tem nada de uma terceira pessoa, é 100% nosso filho”, estimou a mulher.

“Propuseram a mim esse novo métoco e eu não pensei duas vezes”, recordou.

Esta técnica, conhecida como transferência do fuso materno (MST, Maternal Spindle Transfer, em inglês) já permitiu, em abril de 2016, que uma mulher que sofria de síndrome de Leigh, um problema metabólico hereditário raro, pudesse ser mãe de novo de um filho sem esse problema genético. Essa mulher havia dado à luz em duas ocasiões, mas os bebês não sobreviveram a essa síndrome de Leigh que ela lhes havia transmitido.

Utilizar esse método para tratar a infertilidade levanta, no entanto, questões éticas.

Tim Child, professor e diretor médico da Universidade de Oxford, disse estar “preocupado”.

“Os riscos dessa técnica não são conhecidos totalmente. Embora seja considerada aceitável para tratar uma doença mitocondrial, não é nesta situação”, detalhou em um comunicado.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

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