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Médicos mexicanos lutam contra coronavírus, discriminação e agressões

Enfermeira atende um paciente de COVID-19 em um centro médico em Toluca, México afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. abril 2020 - 13:08
(AFP)

Desde que começou sua batalha contínua contra o novo coronavírus há vários dias, Karen, uma jovem médica de emergência de um hospital público da Cidade do México, notou que as pessoas se esquivam quando caminha pela rua com seu uniforme.

"Não é mais a mesma coisa sair com o jaleco cirúrgico", conta à AFP essa mulher de 31 anos, cujo nome verdadeiro é reservado por segurança. "As pessoas se esquivam de mim, como nas lojas, em que colocam o dinheiro no balcão e não me entregam na mão".

"É algo com o que devemos aprender a viver, infelizmente", acrescenta ela, ao mencionar que sua roupa está sempre limpa e que toma banho três vezes ao dia.

Assim como Karen, os nomes de outros profissionais de saúde mexicanos que relataram suas experiências à AFP foram alterados para cuidar de sua integridade e evitar represálias em seus locais de trabalho.

À medida que os casos de coronavírus aumentam no México, a discriminação e até os ataques contra profissionais da área da saúde também cresceram, devido ao medo do contágio que muitas pessoas dizem ter. Hoje, o país registra 4.661 infectados e 296 mortos pelo novo coronavírus.

- "Absolutamente ultrajantes" -

O Instituto Mexicano de Seguro Social (IMSS), a principal instituição de saúde pública do país, condenou "energicamente" esses ataques.

"Não fazem nenhum sentido, nenhuma razão e são absolutamente ultrajantes. Não vamos permitir que o medo nos cegue", enfatizou o diretor do instituto, Zoé Robledo, em 8 de abril.

O Conselho Nacional para Prevenir a Discriminação (Conapred) informou, no entanto, que as denúncias por atos de discriminação dobraram entre 6 e 9 de abril.

"As mais recorrentes foram proibir o uso de meios de transporte para a equipe de saúde, agressões físicas e verbais contra pessoas diagnosticadas e contra os profissionais de saúde", afirmou a instituição governamental em comunicado.

Ariadna, uma enfermeira de 27 anos de um hospital particular da capital, foi recusada a ser atendida em uma loja por conta de seu uniforme. Ela também tem notado que os táxis já não param mais para levá-la para casa.

"Nos olham diferente, tentamos sair o mínimo possível com o uniforme", diz.

"Não sei do que devo ter mais medo: da COVID-19, ou das pessoas que podem nos atacar", acrescenta.

Diante dos frequentes ataques, a polícia da capital anunciou uma operação para monitorar os centros de saúde.

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