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México terá primeiras deputadas trans após luta árdua

A deputada eleita Salma Luevano Luna, uma das duas primeiras mulheres trans eleitas no México, durante entrevista com a AFP na Cidade do México afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. junho 2021 - 14:02
(AFP)

Salma Luévano foi presa por se vestir "como mulher", mas essa humilhação deu início a uma luta de três décadas que tornou ela e María Clemente García as primeiras congressistas trans do México.

Com 17 anos na época, Salma passeava com as amigas em um shopping da conservadora cidade de Aguascalientes (centro), quando ouviu uma sirene policial tocar.

De repente, estavam cercadas de policiais que as acusaram de "atentado ao pudor", conta à AFP a legisladora eleita em 6 de junho.

Salma passou 36 horas presa, uma experiência amarga que marcou o início de seu ativismo pelo respeito à diversidade sexual.

Nas últimas eleições, uma batalha judicial obrigou os partidos a incluírem membros da comunidade LGBTQIA+ em suas listas de candidatos.

Essa decisão da autoridade eleitoral permitiu que Luévano e García fossem eleitas deputadas federais pelo partido governante Morena.

"É uma grande mensagem para nossa população que é tão discriminada há décadas", disse Luévano, defensora dos direitos humanos e estilista de 52 anos.

Isso simboliza "a dignidade que historicamente nos foi devida", acrescenta esta advogada em formação.

- Setor vulnerável -

Formada em administração de empresas e estudante de literatura, María Clemente García não conseguiu exercer sua profissão, segundo ela, por discriminação.

Há pouco tempo, esta ativista ganhava a vida como taxista na Cidade do México.

É "histórico que o setor mais vulnerável da população das minorias sexuais, as mulheres trans, fará parte da tomada de decisões do país", disse García, de 36 anos.

Devido à violência, a expectativa de vida para as pessoas trans no México é de 35 anos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, contra 77 para toda a população.

Por número de vítimas, o México é o segundo país mais mortal para os transexuais depois do Brasil, afirmam as ONGs Letra S e Transgender Europe.

Em 2020, 79 membros da comunidade LGBTQIA+ foram assassinados no México (43 deles pessoas trans), contra 117 em 2019, uma redução que a Letra S atribui às restrições pela pandemia de covid-19.

Como parlamentar, García se propõe a modificar o primeiro artigo da Constituição, que proíbe a discriminação por "preferência sexual" - conceito que considera equivocado -, para que seja trocado por "orientação sexual, identidade e expressão de gênero".

Também impulsionará a criação da primeira clínica integral para pessoas trans na capital.

Em 6 de junho, também foi eleita deputada suplente a candidata trans Fernanda Félix, pelo partido Movimento Cidadão (social-democrata).

Até agora, apenas uma mulher trans, Rubí Araujo, havia alcançado um cargo por eleição popular no México como vereadora do município de Guanajuato (centro) em 2016.

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