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Macri e Fernández trocam acusações de corrupção em debate na Argentina

Alberto Fernández, candidato à presidência na Argentina, e o presidente Mauricio Macri afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. outubro 2019 - 10:20
(AFP)

As trocas de acusações de corrupção entre o presidente liberal Mauricio Macri e o peronista de centro-esquerda Alberto Fernández marcaram no domingo o último debate antes da eleição presidencial de 27 de outubro na Argentina.

Mais agressivos do que nunca, os candidatos se concentraram nos ataques, sem se aprofundarem em suas propostas de governo.

"Fica difícil acreditar que não viu nada", declarou Macri a Fernández, ex-chefe de gabinete nos governos de Néstor e de Cristina Kirchner (2003-2015), ao se referir a ex-funcionários envolvidos em casos de corrupção.

"Quando tive diferenças, renunciei e fui para casa. Nunca fui citado por um juiz. Não tenho nada a ver com a corrupção. Posso dar aulas de decência", defendeu-se Fernández.

Macri, um engenheiro de 60 anos, aspira um segundo mandato. Mas a persistência e agravamento da crise econômica, com recessão e altos índices de inflação e pobreza, tem pesado na decisão dos eleitores.

Fernández, um advogado de 60 anos, é favorito nas pesquisas depois de ter conseguido na primárias de agosto 48% dos votos, à frente de Macri (32%).

Várias pesquisas preveem uma diferença ainda maior a favor de Fernández no primeiro turno do próximo domingo. Se obtiver 45% dos votos ou 40% e uma diferença de 10 pontos para o segundo candidato será eleito.

No debate, Fernández atacou Macri por causa dos altos índices de pobreza e o acusou de favorecer seus "amigos empresários" e "sua família".

Ele também aludiu às investigações judiciais envolvendo um primo e um irmão do presidente pelo suposto pagamento de suborno em obras públicas, um caso que tem Cristina Kirchner, companheira de chapa de Fernández, como principal acusada.

"Macri nomeou juízes e perseguiu outros juízes. Devemos terminar com os empresários corruptos e os funcionários que se deixam corromper", afirmou Fernández.

Macri, consciente da força do peronismo, escolheu como vice Miguel Angel Pichetto, que foi líder da bancada do Partido Justicialista (peronista). Contudo, não conseguiu atrair outros dirigentes.

O debate aconteceu na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires. Sem perguntas diretas, os candidatos falaram sobre questões de segurança, emprego, produção, infraestrutura, federalismo, qualidade institucional, papel do Estado, desenvolvimento social, meio ambiente e habitação.

No final, os candidatos apertaram as mãos e posaram para fotos. Mas Macri e Fernández evitaram se cumprimentar.

A Argentina passa por uma grave crise econômica desde 2018, o que levou o governo a solicitar uma ajuda do Fundo Monetário Internacional de 57 bilhões de dólares, dos quais recebeu 44 bilhões até agora.

Nas últimas semanas foi apresentada a proposta de uma renegociação da dívida de US$ 315 bilhões, que, segundo as agências de classificação de risco, é próxima de 100% do Produto Interno Bruto.

Os outros candidatos que participaram do debate foram o centrista Roberto Lavagna, ex-ministro da Economia, o liberal José Luis Espert, o militar aposentado José Gómez Centurión e o esquerdista Nicolás del Caño.

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