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Maduro cogita aceitar ajuda do FBI para investigar 'atentado'

Juan Requesens, no vídeo em que admite ter tido contato com um dos supostos envolvidos no atentado que Maduro garante ter sofrido afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 12. agosto 2018 - 14:59
(AFP)

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, abriu a possibilidade de que os Estados Unidos cooperem na investigação de um suposto atentado contra ele e pelo qual culpa seus opositores.

A oposição protesta, por sua vez, pela captura de um de seus dirigentes, apontado como "cúmplice".

"Se o governo dos Estados Unidos ratificar sua oferta de cooperação do FBI (Polícia Federal americana) para a investigação dos vínculos na Flórida com o plano do assassinato (...), eu aceitaria, estaria de acordo que o FBI viesse", garantiu o presidente, sábado, em um ato com a cúpula militar.

Segundo Maduro, na Flórida (sudeste dos EUA), há "células terroristas" coordenadas por Osman Delgado Tabosky, que dirigiram a detonação de dois drones com explosivos quando discursava durante uma parada militar em 4 de agosto.

"É da Flórida que se ativa a explosão do drone que explode na frente" do palco presidencial, denunciou ele em pronunciamento no rádio e na televisão.

Na quarta-feira passada, o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, reuniu-se com o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Caracas, James Story. Segundo a Chancelaria venezuelana, o americano "expressou sua preocupação com os fatos e a vontade de seu governo de cooperar".

Nesse contexto, Maduro perguntou ao presidente americano, Donald Trump, se protegerá os "grupos terroristas", ou se fará justiça.

Maduro, que também voltou a acusar o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos de estar por trás desses episódios não esclarecidos, informou que seu governo iniciou as "ações diplomáticas" para que Estados Unidos e Colômbia entreguem "os autores materiais e intelectuais".

Ele também denunciou que vários dos supostos agressores fugiram para o Peru. "Faço um apelo ao governo do Peru para que capture esses terroristas e os entregue (...) à Justiça venezuelana", declarou.

- 'Está desaparecido' -

Aos gritos de "Juan, escuta, sua luta é nossa luta", cerca de 300 pessoas protestaram no sábado em uma praça de Caracas, exigindo a libertação do deputado opositor Juan Requesens. Ele foi detido na terça por suspeita de apoiar o "atentado" contra Maduro.

Durante a manifestação, convocada pela opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), seus familiares denunciaram que nem eles, nem seus advogados, puderam vê-lo.

"Meu filho está desaparecido", denunciou Gregorio Requesens.

Na sexta-feira, o parlamentar foi levado para a corte, mas sua audiência foi adiada para segunda-feira.

Requesens, de 29 anos, foi detido pelo serviço de Inteligência (Sebin). Depois disso, a governista Assembleia Constituinte retirou sua imunidade, assim como a do deputado Julio Borges, exilado na Colômbia e contra quem pesa uma ordem de prisão pelo suposto ataque.

Ontem, o presidente divulgou um segundo vídeo, no qual Requesens afirma, na prisão, ter tido contato com Rayder Alexander Russo. Este último teria dirigido o treinamento dos agressores na Colômbia. Disse, porém, não tê-lo conhecido pessoalmente.

A oposição denuncia que o político foi ameaçado, ou drogado, para dar esse depoimento.

"Requesens foi, sem dúvida alguma, torturado (...), a tortura branda existe e significa ameaçar, amedrontar e até, quem sabe, drogar uma pessoa para conseguir dela o que se espera", afirmou o deputado Juan Andrés Mejía na manifestação.

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