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Socorro Hernández, diretora do CNE, vota em simulação da Constituinte, em 16 de julho de 2017, em Caracas

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"Assassina, sem-vergonha, ladra, cúmplice!". Estas foram as palavras, proferidas aos gritos, contra uma das diretoras do poder eleitoral venezuelano, alvo de ofensas em um supermercado de Caracas.

Socorro Hernández integra o grupo de cinco diretores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado pela oposição de servir ao governo e mais recentemente de articular uma fraude na eleição da toda-poderosa Assembleia Nacional Constituinte.

Vários vídeos divulgados neste domingo nas redes sociais mostraram o encontrão entre Hernández e clientes em um supermercado na capital venezuelana, que a cercaram quando ela fazia compras no local.

"Vá embora", gritava uma mulher, dirigindo-se a ela. "Não venda para ela, ela que vá para o Bicentenário", uma rede de supermercados públicos, exclamava outra. As respostas de Hernández eram inaudíveis e ela tampouco reagiu no Twitter.

O presidente Nicolás Maduro, no entanto, anunciou ter dado "instruções precisas" para a "busca e captura" das pessoas envolvidas no incidente para que sejam processadas, "sejam quem forem".

No âmbito de uma "lei contra a intolerância, o ódio e o fascismo", debatida na Constituinte, Maduro explicou que "as pessoas que agredirem por sua loucura de ódio em território nacional devem ser capturadas, julgadas e punidas de forma imediata".

"É a única forma de que a Justiça abra caminho porque as pessoas têm direito à sua vida social tranquila, em paz" e "vamos consegui-lo através da Justiça, da consciência, do amor, mas quem não entender, [será] através do castigo severo das leis".

O assédio público a funcionários do chavismo tornou-se popular sobretudo no exterior, onde emigrantes venezuelanos os acusam de desfrutar de uma riqueza supostamente obtida de forma antiética, enquanto o país atravessa uma severa crise econômica e política.

Nos últimos meses aumentou o número de "escraches", como são denominadas estas ofensas, todos gravados em vídeo como o de Hernández. Alguns grupos no Facebook divulgam, inclusive, os endereços de chavistas ou de seus familiares no exterior.

AFP