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Migrantes presos no México vivem 'aterrorizados' frente à COVID-19

Mulher desinfecta barracas de campanha instaladas em abrigo para migrantes, em 3 de abril de 2020, em Tijuana (México) afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. abril 2020 - 16:19
(AFP)

Milhares de migrantes presos nas fronteiras norte e sul do México, confinados em acampamentos, ou mendigando nas ruas, observam "aterrorizados" a propagação da COVID-19, uma pandemia que paralisou seus processos de solicitação de refúgio neste país, assim como nos Estados Unidos.

"O clima é de ansiedade. Estamos aterrorizados", confessa, por telefone, um equatoriano em situação irregular, instalado em um acampamento para migrantes em Matamoros, Tamaulipas, muito perto da fronteira americana. Lá, cerca de duas mil pessoas tentam sobreviver.

"Se tiver uma infecção aqui, vai ser uma situação de caos total. Não quero nem imaginar o que pode acontecer", acrescenta este sul-americano, de 30 anos, que pediu para não ser identificado.

Acompanhado da mulher, do filho de 12 anos e da filha de quatro, ele também sofreu um duro baque emocional com a suspensão, nos Estados Unidos, das audiências do programa "Quédate en México" (ou MPP, na sigla em inglês). A dele estava marcada para o final de abril.

Diante do quadro atual, o México também fechou escritórios regionais dedicados à tramitação das solicitações de refúgio.

Nos abrigos, às vezes não há comida para os migrantes e deixar o local para ir trabalhar pode significar o alto risco de ser sequestrado. Confinados, cumprir as regras básicas para não contrair o coronavírus é praticamente impossível.

Manter distância e lavar as mãos com frequência está fora de suas possibilidades nesse contexto. Sequer há áreas de isolamento para eventuais infectados.

"Estamos abandonados, estamos na terra de ninguém", desabafa ele, que deixou o Equador fugindo da fome e das ameaças de grupos criminosos.

"São 2.000 pessoas em menos de um hectare. É necessário que o governo federal promova sua repatriação voluntária e que mude o acampamento de lugar. Está em uma área selvagem", denuncia Enrique Maciel Cervantes, diretor do Instituto Tamaulipeco para o Migrante, em Matamoros.

Levados pelo medo de "morrer por um bicho desses", alguns cruzam o rio Bravo, como um cubano migrante que acabou sendo detido e devolvido para Tijuana (noroeste), conta o equatoriano.

"Não sabemos o que fazer, mas voltar para o meu país, ainda mais agora, não é uma opção", lamenta este nativo de Guayaquil, onde a COVID-19 levou o sistema de saúde ao colapso.

A situação em abrigos operados por associações civis, ou religiosas, é similar em outros pontos da fronteira.

Na Casa do Migrante de Ciudad Juárez, Chihuahua, também fronteiriça com os Estados Unidos, o ingresso foi restringido. Seu responsável, o padre Javier Calvillo, suplica por ajuda ao governo, diante da escassez de doações.

O medo do novo coronavírus também levou a motins em postos do Instituto de Migração. Na semana passada, uma pessoa morreu asfixiada, e outras 14 foram intoxicadas, quando alguns detidos queimaram colchonetes em uma estação migratória de Tabasco.

O México soma 2.785 casos confirmados e 141 mortos. No pior cenário, o governo calcula que 250.000 pessoas poderão ser infectadas e, nestas condições, o sistema hospitalar poderá oferecer terapia intensiva a apenas 5%.

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