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Milhares de salvadorenhos vão às ruas em protesto contra a corrupção

Manifestação contra o presidente salvadorenho Nayib Bukele e a favor de um judiciário independente em San Salvador, 12 de dezembro de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 12. dezembro 2021 - 21:55 minutos
(AFP)

Milhares de manifestantes foram às ruas de San Salvador neste domingo (12) para protestar contra o que consideram um viés autoritário e contra a corrupção no país, dias depois de os Estados Unidos sancionarem uma colaboradora do presidente Nayib Bukele.

A manifestação, da qual participaram várias organizações, começou no parque Cuscatlán, na zona oeste da capital salvadorenha, e terminou na praça Gerardo Barrios, no centro.

"Estamos fartos, como país, dos abusos dos funcionários públicos com os recursos do povo", declarou à AFP o advogado Eduardo Alvarenga, de 37 anos, que segurava um cartaz que dizia "Chega de corrupção".

Os Estados Unidos impuseram na quinta-feira sanções econômicas por suposta "corrupção" a Carolina Recinos, chefe de gabinete de Nayib Bukele.

O presidente tachou de "absurdas" as acusações contra Recinos, enquanto as relações bilaterais estão em seu pior momento.

Depois do protesto deste domingo, o presidente criticou o governo dos Estados Unidos.

"Os contribuintes americanos devem saber que seu governo está usando seu dinheiro para financiar movimentos comunistas contra um governo democraticamente eleito (e com um índice de aprovação de 90%) em El Salvador", escreveu Bukele no Twitter.

Para Alvarenga, não é tolerável que diante da pandemia do coronavírus os funcionários públicos "tenham o cinismo de enriquecer com os recursos que devem ser destinados às necessidades da população".

Também participaram da manifestação juízes e ex-juízes que clamam pelo respeito à separação entre os poderes depois que o Congresso, controlado pela situação, destituiu em maio magistrados da Corte Suprema, e depois afastou os juízes maiores de 60 anos.

"Marchamos neste dia como juízes em defesa da Constituição e do Estado de direito", disse o ex-juiz Jorge Guzmán, que em solidariedade com seus colegas expurgados renunciou ao cargo.

Para Guzmán, que ventilou o julgamento de militares que cometeram há 40 anos o massacre de El Mozote contra quase 1.000 civis, "o regime atual violentou a frágil democracia que vinha sendo construída no país".

Outro dos manifestantes, o ambientalista Ricardo Navarro, disse ter ido às ruas para questionar uma sentença da Corte de Justiça que "diz que o presidente (Bukele) pode se reeleger, enquanto a Constituição diz que não".

Apesar de os organizadores da marcha terem denunciado que a polícia e o exército tinham estabelecido controles em rodovias para impedir a chegada de manifestantes na capital, o dia transcorreu sem incidentes.

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