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Militar em rebelião contra Maduro: 'Somos povo e estamos cansados'

Militares venezuelanos rebelados disparam para afastar os partidários do presidente Nicolás Maduro, em 30 de abril de 2019, em Caracas afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. abril 2019 - 21:22
(AFP)

Uniformizado e com um fuzil, um dos militares rebelados contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela justificou nesta terça-feira (30) a rebelião em apoio ao líder opositor Juan Guaidó: "Somos povo".

"Nós também somos povo e já estamos cansados desta ditadura (...). Temos familiares. Sabemos o que estão sofrendo", disse um dos rebelados à AFP, ao lado de uma dezena de companheiros.

O grupo estava rodeado por milhares de manifestantes que chegavam em seu apoio à base aérea de La Carlota, em Caracas. De lá, durante a madrugada, Guaidó divulgou vídeos em redes sociais, nos quais garantiu contar com respaldo de "valentes soldados" e convocou manifestações nas ruas para exigir a saída de Maduro do poder.

Muitas bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas do interior da base da Guarda Nacional por militares leais ao presidente.

Vestido com o uniforme da Guarda Nacional, o militar sublevado falou com a AFP antes de um oficial superior lhe pedir para encerrar a conversa e não revelar seu nome.

Vários manifestantes civis aproveitavam os momentos de menor tensão para abraçar os soldados rebelados.

"Venezuela livre!", "Liberdade!, eram algumas das palavras de ordem que gritavam.

Apesar das bombas de gás, grupos de civis encapuzados se aproximaram da entrada da base militar, em uma via movimentada da capital, e lançaram pedras e coquetéis molotov contra os soldados que não aderiram ao levante.

Alguns conseguiram entrar no terreno através de um espaço aberto na cerca de proteção do local, mas logo foram repelidos.

Veículos blindados e motocicletas davam cobertura à movimentação dos militares leais ao governo. Um carro blindado avançou em direção aos manifestantes e atropelou algumas pessoas, em uma ação registrada pela televisão.

O governo, que denunciou que um militar foi baleado, minimizou a rebelião e convocou seus partidários para se concentrarem no palácio presidencial de Miraflores, no centro de Caracas.

O dirigente chavista Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Constituinte que comanda o país, garantiu que a rebelião mobiliza apenas "uma mínima fração" da Força Armada e do serviço de Inteligência.

- "Eles têm as armas" -

"Precisamos do apoio dos militares. Nós não temos armas, são eles que têm as armas e deveriam nos apoiar na luta por nossos direitos", disse à AFP Samuel Inostroza, de 24 anos.

Com uma bandeira da Venezuela nas mãos, Inostroza espera que seja "o momento", após "anos lutando". Ele conta que ficou detido por dois dias por participar de protestos convocados em 2014 por Leopoldo López. Este último apareceu com Guaidó, indicando que teria sido "libertado" pelos militares de sua prisão domiciliar.

Entre os manifestantes, era possível ver um cartaz onde estava escrito "Rebelião".

"Eu estou aqui por minha família, por meu país, porque estamos fartos de tanta dificuldade. Trabalhamos, trabalhamos e não conseguimos dinheiro para nada", desabafou Samira Cáceres, de 53 anos.

A Venezuela sofre uma grave crise econômica, com uma hiperinflação projetada em 10.000.000% para este ano pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e uma aguda escassez de remédios e de outros bens básicos.

Os efeitos da crise atingiram os parentes de Cáceres, que emagreceram até oito quilos por falta de dinheiro para comprar alimentos, garante. "Dá dó vê-los perdendo peso", contou, chorando.

"É a oportunidade para ter um futuro", expressou Alejandro Domínguez, de 22 anos.

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