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Militares e policiais patrulham Bogotá após toque de recolher

(22 nov) Manifestantes enfrentam policiais em Bogotá afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. novembro 2019 - 21:10
(AFP)

Bogotá se recuperava com tranquilidade, neste sábado, do primeiro toque de recolher em quatro décadas, decretado devido a distúrbios que surgiram de um protesto em massa contra o governo de Iván Duque, que ordenou que militares e policiais continuem patrulhando a capital colombiana.

Soldados percorriam a pé, em tanques e motocicletas trechos do centro e sul da cidade onde distúrbios resultaram ontem em quase 300 detidos. Pelos mesmos setores, circulavam com calma policiais e esquadrões antichoque.

"Esta patrulha é necessária, mas também acontece para dar tranquilidade aos cidadãos e mostrar presença", disse Duque, após enfrentar nesta semana mobilizações de centenas de milhares de colombianos contrários às suas políticas econômicas, sociais e de segurança.

Cerca de 13 mil uniformizados patrulharam a cidade durante a proibição de circular, das 21h desta sexta-feira até as 6h de hoje, a primeira desde 1977, quando houve outra grande paralisação nacional.

O presidente, de direita, que enfrenta um aumento do descontentamento social após 15 meses no poder, não informou até quando as forças públicas irão percorrer as ruas da cidade, de 7 milhões de habitantes, que, para ele, foi vítima "daqueles que buscam gerar o caos" no país.

O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, denunciou que, por trás da onda de violência, há uma "conspiração" e "organizações de alto nível" interessadas em desestabilizar o país: "Aqui, não se trata de jovens realizando manifestações espontâneas."

Sem mencioná-lo, Peñalosa acusou o senador esquerdista Gustavo Petro de se "deleitar" com a situação em Bogotá, que precisará de recursos milionários para reconstruir estações e ônibus destruídos.

Ex-prefeito de Bogotá e derrotado por Duque nas presidenciais de 2018, Petro respondeu convocando um panelaço nacional a partir das 17h locais, contra "o medo e a mentira".

- 'Dias difíceis' -

Com o "vandalismo" controlado desde a 0h, autoridades prenderam 331 pessoas, entre elas 29 venezuelanos, que desafiaram o toque de recolher tanto em Bogotá quanto em Cali.

Durante a restrição, houve manifestações e panelaços em frente à residência particular de Duque e em outros setores de Bogotá, que foram dispersados pacificamente.

A cidade despertou em calma e retomou gradualmente o serviço de transporte. O comércio voltou a funcionar e os destroços foram removidos aos poucos. "Temos que nos preparar para um esforço longo, e os convido a ter paciência, resistência, porque dias duros e difíceis virão", advertiu Peñalosa.

A ambulante Ana Belén Cuéllar, 35, tentava recuperar o prejuízo que teve ontem por conta do toque de recolher. "Hoje parece tranquilo, porque ontem à noite foi difícil, dava medo", contou.

Durante a noite, houve uma "onda de pânico" entre cidadãos ante mensagens que viralizaram dando conta de quadrilhas de ladrões de residências, reconheceu o ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo.

Peñalosa afirmou que se tratou de uma "campanha de terror", da qual disse ter provas, que consistiu em divulgar informações falsas pelas redes sociais para amedrontar os cidadãos.

- Sem rosto -

Os responsáveis pelos saques e ataques à infraestrutura, muitos deles encapuzados, não foram identificados, nem mesmo se tinham motivação política e concordavam com o protesto contra Duque, liderado por estudantes, sindicatos, indígenas, ambientalistas e artistas.

Peñalosa os relacionou diretamente aos participantes da "paralisação nacional" de quinta-feira, a maior dos últimos tempos, realizada, majoritariamente, de forma pacífica.

Para o analista de segurança Hugo Acero, os distúrbios estiveram associados a "atos de vandalismo. Dedicaram-se, em alguns casos, a vandalizar ou roubar mercadorias de alguns estabelecimentos. Estes não são fatos de um protesto social", afirmou.

Após os protestos em massa, que deixaram três mortos e 300 feridos em todo o país, Duque convocou uma "discussão nacional" para abordar "reformas" em sua política social. Até o momento, não convidou diretamente os organizadores das manifestações contra o governo.

Com um crescimento econômico que supera a média regional, a Colômbia enfrenta altos índices de desigualdade e desemprego.

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