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Não podemos cruzar os braços quando nos atacam, diz ELN

Pablo Beltrán, chefe da missão negociadora da guerrilha colombiana do ELN nas negociações em Havana. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. janeiro 2019 - 23:54
(AFP)

O Exército de Libertação Nacional (ELN) atacou uma academia da polícia na Colômbia em represália a ações militares do presidente Iván Duque, afirmou nesta segunda-feira (21), em Havana, o chefe da missão negociadora do grupo, Pablo Beltrán, que não desistiu do diálogo.

P: Por que o ELN comete um ato desta natureza enquanto defende o diálogo?

R: Esperamos seis meses. Libertamos soldados e policiais. No final do ano adotamos um cessar-fogo unilateral e mesmo assim fomos atacados, bombardeados, e ao final da trégua começaram os combates, ataques (...). Ninguém pode nos pedir que cruzemos os braços quando nos atacam.

P: Por que atacar uma academia da polícia?

R: Em qualquer país do mundo a polícia é um corpo de ordem interna, mas na Colômbia existe uma polícia militarizada. A população não quer isto (...) É parte de um plano contrainsurgente...

P: O Comitê Central e a comissão de diálogo do ELN sabiam que o ataque iria ocorrer?

R: Não (sabíamos), é claro. Estamos em Cuba há oito meses. Os planos das nossas Frentes na Colômbia não são nossa atribuição.

P: Na Colômbia se fala que um setor do ELN está descontente com as negociações de paz. Há dissidência?

R: Não! Os acordos que firmamos nesta mesa foram totalmente cumpridos por todas as frentes do ELN. Há uma política de ficarmos na mesa, apesar dos ataques que recebemos e dos nossos ataques, que neste caso levam o governo a não vir à mesa.

P: Como será o retorno?

R: Em 2016 se firmou um protocolo para o caso de ruptura (...) Foram estipuladas garantias para que o ELN volte às suas zonas e há estados que avalizaram isto. Esperamos que o governo dê garantias para este retorno.

P: Duque declarou que este protocolo foi firmado por outro governo e não poderá ser respeitado após o atentado. Além disso pediu que Cuba os entregue.

R: A paz para funcionar tem que ser uma política de Estado. O que acerta um governo deve ter continuidade em outro. Nós firmamos com o Estado e exigimos que o Estado cumpra este protocolo de retorno do ELN.

A explosão de um carro-bomba matou 20 cadetes e o autor do ataque na Academia da Polícia em Bogotá.

Após o atentado contra a academia, o presidente colombiano acabou com o diálogo de paz, que já estava suspenso desde sua posse, e pediu a Cuba a entrega dos membros da delegação do ELN.

Havana condenou o atentado e garantiu que jamais permitirá que seu território seja usado para organizar atos terroristas contra qualquer Estado, mas destacou que respeitará os protocolos firmados para o caso de ruptura.

Os protocolos determinam que os avalistas do diálogo devem coordenar o retorno da delegação do ELN no prazo de 15 dias a partir do anúncio do fim das conversações. Este prazo vence no dia 2 de fevereiro.

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