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O presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, em 26 de junho de 2014

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No papel, em economia e futebol, a Alemanha aparece como favorita na disputa contra a França. Mas, após vários anos de crise, os franceses poderão surpreender?

Diversos economistas franceses e alemães consultados pela AFP ressaltam que, tanto no esporte quanto no Produto Interno Bruto (PIB), pode ser arriscado apostar naquele que parece mais forte.

"O jogo será bem disputado", avaliou Ludovic Subran, principal economista da companhia especializada em seguros de crédito Euler Hermes, que divide quase igualmente os prós e contras de cada uma das duas equipes.

A Alemanha tem um "capitão" de peso: seu crescimento tem previsão de 1,7% para 2014, enquanto a França parece estar em posição de impedimento, com taxas de crescimento abaixo de 1% pelo terceiro mês consecutivo.

Os alemães também esmagam os franceses com sua taxa de emprego de 72,8%, contra 64%.

A comparação com o futebol é tentadora. Na sexta-feira, nas quartas de final da Copa do Mundo, a Alemanha entrará em campo, no Maracanã, com uma equipe que soma 218 gols vestindo a camisa oficial (dos quais Miroslav Klose, sozinho, marcou 70), contra os 46 do time de Didier Deschamps.

Mas, se as duas equipes apresentam médias de idade parecidas, o mesmo não acontece com as populações dos dois países. A Alemanha, que envelhece, deve invejar a dinâmica de natalidade da França.

"Em termos econômicos, a França ganha com facilidade em criatividade e estilo", garante Carsten Bzerski, economista do ING. Mas considera que "a Alemanha se impõe em confiança e organização, na economia e no futebol, porque sua equipe aposta mais em segurança do que na criatividade".

- Pênaltis -

Bzerski cita o exemplo de Thomas Müller, um dos grandes destaques do ataque alemão. "Podemos compará-lo aos carros alemães: não está na última moda, mas é um artilheiro sem comparação".

A metáfora não se esgota aqui: "As exportações francesas não chegam aos pés das da Alemanha", brinca o economista alemão.

Além disso, a equipe da França, na economia e no futebol, apresenta muitas contradições.

Frédérik Ducrozet, economista do Credit Agricole, afirma que "os franceses tiveram sorte, evitando algumas expulsões, e foram eficientes no ataque, parecem ter ganhado confiança, serenidade, organização e visão de jogo, ao contrário da imagem da economia francesa".

Ele incentiva a França a "consolidar a mudança iniciada, arriscando mais, tendo confiança em seus inegáveis talentos individuais, embora possar colocar em risco alguns padrões de outra época".

E adverte que a Alemanha "não pode se acomodar sob pena de ser ultrapassada por outros países exportadores concorrentes".

"A economia francesa não tem a cultura do lucro", ressalta Christian Schulz, economista do banco Berenberg. A culpa, segundo o analista alemão, é de "um técnico muito onipresente, o Estado, que asfixia a criatividade de sua equipe".

No entanto, aponta Bzerski, "Deschamps conseguiu algo que Hollande tem dificuldades de começar: fazer reformas sem fazer a revolução".

Por fim, observa Subran, "o papel dos goleiros será mais determinante do que nunca", e a probabilidade de um empate é muito alta.

Perguntado nesta quinta-feira sobre sua previsão esportiva, o árbitro principal da zona euro, o presidente italiano do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi, preferiu não apontar o favorito.

"As duas economias são muito diferentes mas, ao contrário do futebol, juntas serão mais eficientes na Europa", resumiu Ducrozet.

AFP